21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Publicidade

Expressão Plural

Manhã de Páscoa

teste
Natan Fantin.jpeg
Por Natan Fantin - Professor do Ensino Básico e Escritor; E-mail para contato: natanfantin@gmail.com
Foto Arquivo pessoal

A manhã de domingo não chega;

levanta-se,
como corpo que retoma o fôlego.

A luz toca a terra,
da terra fostes formada.

Amanhece
como se o mundo
aprendesse de novo a respirar.

A pedra foi deixada,
não como Sísifo;
mas abandonada,
como trabalho consumado.

A pedra marca a passagem.
Há um homem entre as árvores,
Há uma mulher que chora,
Há um nome
ainda não reconhecido.

Quem procura, chama.
Quem chama, não reconhece.

“Por que choras?”
“Quem procuras?”

Ela pensa:
o jardineiro?

E Ele está
ainda com mãos sujas de terra.

A sepultura,
agora é jardim.

A semente
precisa morrer
para dar fruto.

Se houve ressurreição,
foi assim:
Passagem.

Maria se volta.
O nome a chama,
o nome a atravessa.

Quando vem,
não é dito duas vezes.

A voz do jardineiro
cultiva esperança.

Devolve o fôlego
àquela que chora.

Não arranca,
não força,
semeia o invisível,
espera
até que a vida responda.

A manhã de Páscoa
não resolve todos os dilemas.

Convoca:

Vai!

Diz ao mundo,
diz aos corpos dilacerados,

diz aos violentos
diz ao medo,
diz à noite,
diz ao pó:

a semana da paixão passou
da perda à presença,
do túmulo ao jardim.

É o oitavo dia,
plantado no meio da história,
como promessa,
como colheita,

como nova criação.

A terra continua terra.
A morte continua ferida.

Mas o jardineiro passa.

E onde Ele passa,
o mundo
já não é o mesmo.

Publicidade

Blog dos Colunistas

;