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Expressão Plural

O novo também mora no rock

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Gabriela de Freitas
Por Gabriela de Freitas
Foto Arquivo pessoal

Terça-feira (19) foi um daqueles dias que ficam guardados na memória por muito tempo. Minhas tão esperadas férias me deram um presente e tanto no mês do meu aniversário: assistir, na capital gaúcha, ao show de Robert Plant com seu novo projeto, Saving Grace, ao lado de Suzi Dian e de uma banda impecável, no Auditório Araújo Vianna. Para alguém apaixonada por rock desde a adolescência, foi daqueles momentos difíceis de explicar em palavras.

Violoncelo, banjo, bateria, violão, guitarra, acordeão e gaita de boca costuravam o folk apresentado pelos músicos. Na plateia, muitos fãs exibiam camisetas e discos do Led Zeppelin, ansiosos, claro, por alguma lembrança da lendária banda inglesa. Era impossível estar tão perto de Robert Plant e não desejar ao menos uma pequena homenagem ao grupo que marcou gerações.

Mas, ao mesmo tempo, havia ali outra proposta. Um novo momento artístico. E talvez fosse importante compreender isso também.

Atrás de nós, alguém gritava repetidamente por músicas do Led Zeppelin. Confesso que achei deselegante. Os músicos atravessaram o mundo para apresentar suas próprias canções, seu novo trabalho, suas novas sonoridades. Havia beleza justamente nisso: na possibilidade de ver um artista seguir em frente sem precisar viver eternamente preso ao passado.

O show começou de forma tão bonita que por alguns segundos quase perdi o fôlego tentando absorver tudo ao mesmo tempo. Diante dos meus olhos estava um dos grandes nomes do rock and roll. Segurei as lágrimas, mas não consegui evitar o arrepio que percorreu meu corpo na abertura da apresentação.

Em vários momentos tentei apenas me permitir estar ali. Observei muitos celulares erguidos, gravando vídeos e registrando fotos. Não julgo ninguém, eu mesma fiz isso algumas vezes. Mas também senti vontade de guardar aquele instante de outra forma: na memória.

Passamos tanto tempo com o smartphone nas mãos que me pareceu quase um desperdício assistir a tudo através de uma tela. Arte também é isso: saber a hora de se desligar do mundo virtual para simplesmente apreciar o que acontece diante de nós.

E talvez essa noite também tenha servido para lembrar que as coisas mudam. Os artistas mudam. Nada permanece exatamente igual.

Mesmo não sendo o Led Zeppelin no palco, com as músicas que atravessaram gerações, havia algo muito bonito acontecendo ali.

E o novo caiu muito bem em Robert Plant.

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