Da América do Sul para a Europa, a Copa do Mundo de 2018 foi realizada na Rússia. A definição da sede ocorreu em um processo conjunto com a escolha de 2022. Em 2010, a FIFA anunciou que os russos sediariam o Mundial de 2018, enquanto o Catar ficaria com a edição seguinte, em uma decisão que causou surpresas e controvérsias nos bastidores.
Essas desconfianças ficariam comprovadas após a divulgação do escândalo conhecido como FIFAGate, investigação internacional que revelou esquemas de corrupção envolvendo dirigentes da FIFA, com acusações de pagamento de propina e compra de votos em processos ligados à escolha de sedes e a contratos comerciais. Por conta disso, Joseph Blatter renunciou à presidência da entidade em 2015, sendo substituído por outro suíço, Gianni Infantino, em 2016.
A Copa na Rússia foi antecedida por muitas críticas relacionadas ao cenário político e dos direitos humanos do país, governado desde 2000 por Vladimir Putin. Ainda assim, a organização da Copa foi amplamente considerada eficiente, com boa infraestrutura, logística funcional e estádios modernos, garantindo o bom andamento da competição.
Dentro de campo, a edição ficou marcada por uma inovação importante: foi a primeira Copa do Mundo com o uso do árbitro de vídeo, o VAR. A tecnologia passou a influenciar diretamente decisões cruciais em gols, impedimentos e cartões vermelhos, muitas vezes em detalhes milimétricos que o olho humano não enxergaria em situação normal.
Além da Rússia, estiveram na Copa as seleções da Alemanha, França, Espanha, Inglaterra, Portugal, Bélgica, Suíça, Croácia, Suécia, Dinamarca, Islândia, Polônia, Sérvia, Brasil, Argentina, Uruguai, Colômbia, Peru, Nigéria, Egito, Senegal, Tunísia, Marrocos, México, Costa Rica, Panamá, Japão, Coreia do Sul, Irã, Arábia Saudita e Austrália. Pela primeira vez em 60 anos, a Itália ficou de fora da Copa.
Um outro destaque negativo foi a Alemanha, campeã em 2014, que acabou eliminada ainda na fase de grupos ao perder para México e Coreia do Sul, repetindo o destino de outras vencedoras recentes.
O Brasil viveu um ciclo de reconstrução após o trauma do 7 a 1 em 2014. Dunga retornou ao comando, mas não conseguiu repetir o desempenho de sua primeira passagem e fracassou nas Copas América de 2015 e 2016. Com sua saída, Tite assumiu a equipe e promoveu uma rápida transformação. O Brasil passou a jogar de forma mais organizada, garantiu a classificação para a Copa com mais de um ano de antecedência e voltou a ser apontado como um dos favoritos, inclusive após vencer a Alemanha em amistoso, meses antes do Mundial.
Na campanha, o Brasil estreou com empate em 1 a 1 com a Suíça, venceu a Costa Rica por 2 a 0 e a Sérvia por 2 a 0, avançando em primeiro lugar no grupo. Nas oitavas de final, derrotou o México por 2 a 0. Nas quartas, enfrentou a Bélgica. Em um jogo equilibrado, a seleção brasileira pagou caro por falhas pontuais, especialmente no início da partida, e acabou derrotada por 2 a 1.
Quem veio para vencer foi a França, com eficiência e precisão. A equipe jovem e talentosa, liderada por Kylian Mbappé, avançou na fase de grupos sem grandes dificuldades, vencendo Austrália e Peru, e empatando com a Dinamarca. No mata-mata, eliminou a Argentina por 4 a 3, em um dos melhores jogos da Copa, venceu o Uruguai nas quartas e superou a Bélgica na semifinal.
Na final, em Moscou, a França enfrentou a Croácia, que fazia sua melhor campanha em Copas. Com um futebol pragmático e cirúrgico, os franceses venceram por 4 a 2 e conquistaram o segundo título mundial, encerrando um torneio em que pequenos detalhes fizeram muito a diferença, tanto para os ganhadores quanto para os perdedores.