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Opinião

Abril de Memória e Riso: 99 anos de Gladstone Osório Mársico

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Gladstone Osório Mársico (1958–1994).
Dra. Gláucia Elisa Zinani Rodrigues
Por Dra. Gláucia Elisa Zinani Rodrigues (Pós-Doutoranda em História – UFPR)
Foto Arquivo pessoal

A comunidade erechinense - ou erexinense, como diria Gladstone Osório Mársico - é convidada a conhecer a tese as representações e a verossimilhança das relações interétnicas na obra de Gladstone Osório Mársico (1958–1994). O estudo evidencia que a verossimilhança social e local, especialmente no contexto da colônia Erechim, constitui elemento central na construção das relações interétnicas na produção satírico-paródica do autor.

A pesquisa contextualiza as interações entre indígenas, nativos e imigrantes retratadas nas obras de Mársico, avaliando em que medida essas relações ocorreram historicamente e como foram elaboradas no plano literário. Entre os objetivos, estão a elaboração de uma biografia teórico-crítica do autor em seu contexto histórico, a análise da organização de sua obra — com ênfase nos espaços rural e urbano — e a investigação das relações interétnicas por meio do cotejo de seus textos.

O corpus reúne a totalidade da produção literária publicada entre 1958 e 1994, incluindo Minha Morte e Outras Vidas, Gatos à Paisana, Cogumelos de Outono, Cágada (ou a história de um município a passo de) e a obra póstuma Furúnculo. Essas obras refletem as dinâmicas sociais e culturais do norte do Rio Grande do Sul, região onde o autor viveu por muitos anos.

Segundo a pesquisa, a relevância da obra de Mársico reside em seu caráter singular ao representar eventos e figuras históricas de Erechim com ironia e crítica social. Sua produção articula elementos históricos e satíricos, abordando preconceitos, diferenças culturais e tensões sociais, ao mesmo tempo em que mobiliza o riso como forma de reflexão crítica.

Do ponto de vista metodológico, o estudo dialoga com a História Cultural e se insere na interface entre Literatura e História, com destaque para o conceito de etnicidade desenvolvido por Fredrik Barth. A análise está estruturada em quatro categorias: a interação entre indígenas e nacionais, com ênfase na luta pela terra; as representações nos espaços de sociabilidade; a presença feminina nas relações interétnicas, especialmente nos casamentos; e as relações interétnicas sob a influência de ideologias como o Nazismo e o Fascismo.

Ao articular relações interétnicas, vivências pessoais e contexto sociocultural, a tese evidencia a importância da obra de Mársico como documento literário e histórico, oferecendo uma visão crítica e multifacetada dos sujeitos, das funções e dos espaços sociais em Erechim/RS. Nesse contexto, o riso satírico aparece como instrumento de questionamento e interpretação da realidade.

No campo acadêmico, a obra de Mársico já foi objeto de diversas investigações. Destaca-se a dissertação de Vera Beatriz Sass (1994), que analisa o uso da sátira a partir da tradição picaresca. Trabalhos de conclusão de curso — como os de Norma Rotta Forcellini e Avani Regina Tozzo (1972), Catarina Justo (1972), Rosângela Eliane Sommer (2007) e Aline Denis Deoti (2007) — exploram aspectos como a picaresca, a sátira e a dimensão psicanalítica das personagens.

Outras contribuições incluem a dissertação de Adilson Barbosa (2010), dedicada aos mecanismos de comicidade e ao riso em diálogo com contextos históricos, e o estudo de Daniela Rosa Monteiro (2017), que analisou e catalogou o acervo pessoal do autor. Em 2019, foi desenvolvida uma pesquisa comparativa sobre a representação do imigrante judeu na literatura sul-rio-grandense. Mais recentemente, João Batista Piccoli (2022) investigou o espaço de Erechim em Cogumelos de Outono.

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