21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Publicidade

Opinião

Memórias de viagem

Viagem Transiberiana de Trem: Rússia – Sibéria – Mongólia – China – (31)

teste
Marlei Klein
Por Marlei Carmen Reginatto Klein – Membro da Academia Erechinense de Letras
Foto Marlei Carmen Reginatto Klein

Na China, como também na época das monarquias, os palácios representavam o esforço espiritual e o sucesso mundano. Como moradia oficial da realeza e dos chefes de Estado, os palácios eram a personificação arquitetônica do poder e do prestígio. Nunca foram apenas residências, mas sim centros de governo – em alguns casos, ainda são –, apinhados de autoridades, administradores e visitantes. Como tais, eram comunidades estruturadas, nas quais todos conheciam sua função a serviço do líder.

O budismo na China: Esta crença está se tornando cada vez mais popular na China moderna. A vida dos monges, em alguns dos templos mais famosos, beira a opulência. Começaram a vender imagens, incenso e a cobrar entrada nesses locais ou por orações de intercessão. No Tibete, nas montanhas ao norte da China, a situação é diferente. No tempo de Mao Tsé-tung, a Guarda Vermelha, durante a Revolução Cultural, destruiu alguns templos, e muitos sacerdotes e monjas foram presos. Conforme já foi comentado, o Dalai Lama – o sacerdote supremo e líder espiritual – fugiu para a Índia, onde se encontra até hoje, e recebeu o Nobel da Paz.

Palácio de Potala: Era a residência de inverno do Dalai Lama, que também foi, em parte, destruída, mas restaurada. Está erguido sobre uma encosta escarpada no centro de Lhasa, capital do Tibete. Construído em 1645, foi considerado o palácio mais alto do mundo. O exterior tem o perfil poderoso de uma fortaleza, com paredes grossas e inclinadas para dentro. São cerca de 13 andares de escadas e terraços até um cume encimado por estandartes. No seu interior, há cerca de mil cômodos, incluindo salões e capelas com milhares de pinturas e relíquias religiosas, a maioria em ouro e pedras preciosas. Estas guardam os restos mortais dos dalai-lamas anteriores. Esses locais são lugares de peregrinação.

A política do filho único na China: Mao Tsé-tung dizia: “Uma grande nação precisa de gente”. Para ele, quanto maior a população, mais poderoso o país. Por isso, enquanto esteve no governo, ela disparou. Na década de 1970, já havia um bilhão de pessoas. A alimentação virou um sério problema. O novo regime, após a sua morte, buscou soluções. Foi decretado que um casal só poderia ter um filho. A preferência era pelos meninos, com consequências sociais indesejadas. As famílias com mais de uma criança tinham de pagar pesadas multas e podiam perder o ensino pago pelo governo e até os apartamentos financiados. O desejo pelo sexo masculino estava ligado à vontade de perpetuar o sobrenome e ao cuidado com os pais na velhice. Hoje, também, quando o filho mais velho se casa, leva os pais idosos para morarem junto. Os meninos, tanto nas cidades como no campo, passaram a ser tão protegidos que eram chamados de “pequenos imperadores”.

Meninas indesejadas: A consequência do “filho único” foi o alto índice de infanticídio feminino. Em uma sociedade machista, só se permitia uma criança do sexo masculino. O governo chinês, na época, proibiu exames de ultrassonografia de rotina para mulheres grávidas que se sentiam tentadas a se submeter a um aborto ao descobrirem que estavam esperando uma menina. Esse desequilíbrio entre os sexos criou um excesso de homens solteiros. Para casar, buscavam mulheres na vizinha Tailândia ou sequestravam mulheres jovens. Até 2005, os filhos únicos eram dispensados de respeitar essa política para seus próprios descendentes. Em 2015, com o declínio e o envelhecimento da população, foi encerrada a política do “filho único”. Hoje, são permitidos até três filhos, com incentivo financeiro, havendo também o cuidado com os pais idosos. Estes estão vivendo mais por causa das melhorias nas condições de higiene e do atendimento médico. Aliás, o mesmo acontece no mundo todo.

Educação: É obrigatória dos seis aos quinze anos, e o ensino é gratuito e financiado pelo poder público nessa faixa etária. A disciplina é rigorosa, e a valorização dos pais e idosos é ensinada. As crianças permanecem nas escolas seis dias por semana, de 10 a 12 horas diárias, às vezes da manhã à noite. O ensino é competitivo, com provas e distinções para os melhores. O aprendizado de línguas estrangeiras tem preferência pela língua inglesa. Sempre é exigido o domínio dela para empregos ou concursos. Por isso, no comércio ou em atendimentos públicos, como em aeroportos, é indispensável o uso do inglês.

No ensino médio ou superior, a preferência é pelas áreas de exatas ou tecnologia. Os jovens que se destacam são convidados a estudar no exterior com o patrocínio do poder público. Este possui apartamentos, especialmente no Reino Unido, para abrigar estudantes.

Técnica Cloisonné: Visitamos um centro que aplica a técnica “cloisonné” em objetos. Essa técnica nasceu na Dinastia Ming, no século XV. Ela combina essa técnica em objetos de bronze, cobre e porcelana. Nos objetos de cobre, é aplicada uma combinação de grafite vermelho, ácido bórico e pó de vidro, resultando em uma pasta brilhante ou translúcida. Esse esmalte é passado no objeto, que fica liso e brilha como joia. Muito delicada, a técnica resulta em belos e artísticos relevos. As mulheres eram as decoradoras, pois há exigência de muita “paciência e dedicação chinesa”. Depois, tudo é levado ao forno de alta temperatura. São trabalhos executados há séculos, de geração em geração. Na loja da fábrica, os trabalhos eram encantadores pelos detalhes e pela beleza das combinações de cores. Porém, extremamente caros, o que nos restou foi adquirir apenas algumas miniaturas como recordação, para lembrar da técnica “cloisonné”.

Conclusão: Desde o início dos tempos, a pintura chinesa sempre revelou surpreendente competência técnica. Os princípios foram estabelecidos ainda no século V: ritmo, vitalidade, pinceladas firmes, formas realistas e bons modelos. A caligrafia foi colocada no mesmo nível. Nas lojas chinesas, encontramos artistas que escrevem o nosso nome em belos painéis, com essa técnica. Uma bela lembrança! A boa caligrafia sempre foi exigência, e surgiram exímios calígrafos. Na época de Mao Tsé-tung, a pintura foi muito importante para o governo. Essa técnica possibilitou a representação, em grandes telas, de feitos heroicos e cerimônias oficiais. Mais tarde, decidiram acabar com a pintura, que foi proibida, e os artistas foram enviados para trabalhar nas fazendas.

Publicidade

Publicidade

Blog dos Colunistas

;