O tratamento da obesidade no Brasil poderá ganhar novas opções com a chegada de comprimidos semelhantes às canetas emagrecedoras. Entre eles estão a semaglutida oral 25 mg, da Novo Nordisk, e a orforgliprona, da Eli Lilly. Ambos são de uso diário, pertencem à classe dos agonistas do receptor de GLP-1 e aguardam aprovação da Anvisa.
Atualmente, o país conta com seis medicamentos aprovados para tratar a obesidade, entre eles o Wegovy (semaglutida) e o Mounjaro (tirzepatida), aplicados semanalmente. Os novos comprimidos poderão ampliar as alternativas para pacientes que preferem evitar injeções.
Semaglutida oral
A semaglutida oral de 25 mg promove perda média de 16,6% do peso corporal em adultos com obesidade ou sobrepeso associado a comorbidades, segundo estudos clínicos. Assim como a versão injetável, também pode reduzir o risco de eventos cardiovasculares graves, conforme as aprovações regulatórias.
O medicamento foi aprovado pela FDA, nos Estados Unidos, em dezembro de 2025, e pela União Europeia em julho de 2026. No Brasil, aguarda autorização da Anvisa. Já está disponível no país o Rybelsus, comprimido de semaglutida indicado para diabetes tipo 2, nas doses de 3 mg, 7 mg e 14 mg.
Dados do estudo Octane, apresentados em congresso científico, mostram que 194 pacientes que migraram da versão injetável para o comprimido de 25 mg perderam, em média, mais 4,1% do peso nos três meses seguintes à troca. A medicação deve ser ingerida em jejum, com espera de 30 minutos antes do consumo de alimentos ou bebidas.
Orforgliprona
Desenvolvida pela Eli Lilly, a orforgliprona registrou perda média de peso de 12,4% em estudos clínicos e recebeu aprovação da FDA em abril de 2026 para adultos com obesidade ou sobrepeso associado a comorbidades. O medicamento ainda não é autorizado no Brasil.
Dados do estudo Attain-1 divulgados pela fabricante indicaram redução estimada de 57% no risco de desenvolver diabetes tipo 2 e de 18% no risco de doença cardiovascular em dez anos, em comparação com placebo. Os percentuais representam projeções de risco, não a redução de eventos efetivamente observados.
Diferentemente da semaglutida oral, a orforgliprona pode ser tomada a qualquer horário, sem restrições relacionadas à alimentação ou à ingestão de água. No entanto, pode interagir com outros medicamentos, como sinvastatina e anticoncepcionais, exigindo atenção ao uso concomitante.
Efeitos e acesso ao tratamento
Náuseas, vômitos e constipação estão entre os efeitos adversos das versões orais, semelhantes aos das injetáveis. Estudos comparativos ainda são necessários para avaliar diferenças de tolerabilidade. Os comprimidos podem facilitar o acesso ao tratamento, reduzir dificuldades de conservação e ampliar a concorrência, com potencial impacto nos preços. Especialistas também apontam que novas opções podem ajudar a reduzir o estigma da obesidade, mas a escolha deve considerar as condições clínicas e a orientação profissional.
Atualmente, nenhum medicamento para obesidade é fornecido pelo SUS. Em junho de 2026, a Novo Nordisk solicitou novamente a incorporação da semaglutida injetável à rede pública, oferecendo desconto de 59% ao governo. Já a versão oral de 25 mg não foi aprovada no Brasil e não tem previsão de oferta pelo sistema público.