Nas duas primeiras partes, percorremos as origens da Orquestra Belas Artes, suas apresentações e a relação construída com Erechim. Nesta última publicação, a história continua com aquilo que está no centro de tudo: as pessoas e a música.
Mas uma parte importante dessa história acontece longe dos grandes palcos. Os ensaios coletivos aos sábados reúnem estudantes, trabalhadores, professores e pessoas de diferentes idades e experiências. Em alguns casos, pais, filhos e irmãos dividem o mesmo ensaio e o mesmo palco. Talvez esteja aí uma das coisas mais bonitas de uma orquestra, pessoas com histórias diferentes aprendendo a ouvir umas às outras para que, juntas, consigam fazer música.
E esse espírito de convivência não ficou restrito a Erechim. A Orquestra já participou, em diferentes anos, do Encontro Brasileiro de Orquestras, em Chapecó e, em agosto de 2026, voltou ao encontro para sua XIII edição, representando mais uma vez Erechim e dando continuidade a um intercâmbio construído ao longo dos anos.
Na edição de 2026, a diretora do Centro de Belas Artes Osvaldo Engel, Patrícia Forcelini, resumiu muito bem a importância dessa experiência: “Participar de um encontro como este é uma experiência muito significativa para nossos músicos. É uma oportunidade de conhecer outros trabalhos, trocar experiências, ampliar conhecimentos e, principalmente, perceber a força que a música tem para aproximar pessoas e instituições. Para Erechim, também é uma forma de levar o trabalho desenvolvido pelo Centro de Belas Artes para além do município e fortalecer cada vez mais a nossa atuação na formação musical”.
A fala traduz muito do que esses 16 anos representam. A Orquestra Belas Artes construiu sua própria identidade, e ela está nas pessoas que passaram, nos alunos que aprenderam, nos professores que ensinaram, nos repertórios, nos concertos, nos encontros com outros grupos, no apoio recebido ao longo dos anos e na relação construída com a comunidade. Mudaram administrações, direções e integrantes, mas cada período deixou sua contribuição e ajudou a consolidar uma história que hoje também pertence à memória cultural de Erechim.
Sem necessidade de qualquer título formal, é difícil olhar para essa trajetória e não reconhecer que ela já ocupa seu espaço no patrimônio cultural construído pela própria comunidade.
E essa história continua. No último sábado, 26 de setembro de 2026, a Orquestra estava novamente tocando, desta vez na inauguração da sede do tradicional Grupo do Gillé. Dois dias depois, celebramos os 12 anos daquele primeiro “Do Barroco ao Rock” e uma caminhada que já soma 16 anos.
Muito mudou nesse tempo, mas permanece aquilo que deu origem a tudo, pessoas se encontrando para fazer música juntas e, nesse caminho, ajudando também a contar um pouco da história de Erechim.
Feliz aniversário, Orquestra Belas Artes. Que venham novos músicos, novos repertórios, novos encontros e muitas outras histórias para contar.
Sobre a autora
Monalise Cristina Studzinski Wojciekowski é advogada, membro fundadora da Academia Erechinense de Letras – Cadeira nº 20, onde também integra a Assessoria Jurídica e a Comissão de Cultura, e coautora da obra coletiva “Um Mosaico sobre Erechim”. Sua trajetória de participação cultural e comunitária inclui também o Café Cultural de Erechim e o CPM da Escola Municipal de Belas Artes Osvaldo Engel. Integra a Orquestra Belas Artes, o Coral Belas Artes, o Grupo do Gillé, o Coro La Montanara e a OCAU, além de participar do SER DOADOR. Entre a advocacia, a literatura, a música e o trabalho voluntário, mantém uma relação próxima com a vida cultural e comunitária de Erechim, construída pela participação direta em diferentes iniciativas ao longo dos anos.
Fontes consultadas
Registros e publicações da Prefeitura Municipal de Erechim, Câmara Municipal de Vereadores de Erechim, Centro de Belas Artes Osvaldo Engel, Unochapecó, imprensa local, registros históricos e acervo da Orquestra Belas Artes.
Legislação: Lei Municipal nº 2.555, de 16 de setembro de 1993, especialmente o Anexo I, relativo às prioridades culturais do Município para o exercício de 1994.