A preparação do Rio Grande do Sul para a Copa do Mundo Feminina de 2027 e as oportunidades econômicas associadas à realização do torneio foram tema de mais uma edição do Fecomércio-RS Debate. O evento foi promovido pela Fecomércio-RS nesta quarta-feira, 14 de outubro, em Porto Alegre, e reuniu representantes do poder público e da iniciativa privada para discutir os impactos da competição para a economia gaúcha, com atenção à preparação da Capital para receber os jogos e às possibilidades para os diferentes segmentos empresariais, com foco no setor de comércio de bens, serviços e turismo. Participaram do painel a secretária extraordinária da Copa do Mundo Feminina 2027 em Porto Alegre, Débora Garcia; o secretário estadual de Turismo, Raphael Ayub; e a diretora de Vendas e Marketing da Rede Laghetto, Cristiane Mörs. A mediação ficou a cargo da comunicadora, advogada e empresária Monique Wilborn.
Para o presidente do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac e IFEP, Luiz Carlos Bohn, a realização de grandes eventos esportivos pode abrir perspectivas para o desenvolvimento econômico e para as empresas gaúchas. “A realização da Copa do Mundo Feminina representa uma oportunidade importante para o Rio Grande do Sul, com potencial para movimentar o setor de comércio de bens, serviços e turismo. Para que esses impactos se convertam em resultados para a economia gaúcha, é fundamental que o poder público e a iniciativa privada atuem de forma articulada, com planejamento e atenção às demandas que um evento dessa dimensão envolve. O Fecomércio-RS Debate busca justamente promover esse diálogo e contribuir para que as empresas estejam preparadas para aproveitar as oportunidades que a competição pode gerar”, destaca.
Durante o debate, os participantes abordaram a preparação de Porto Alegre para sediar os jogos do mundial, com atenção aos desdobramentos do sorteio da fase de grupos, previsto para 11 de dezembro. A discussão também destacou os desafios para os setores hoteleiro, de comércio de bens, serviços e turismo, incluindo a qualificação dos profissionais para atender visitantes estrangeiros, com iniciativas voltadas ao aprendizado de idiomas por garçons, motoristas de aplicativo e outros trabalhadores que terão contato direto com o público. Outro ponto em pauta foi a possibilidade de ampliar os benefícios econômicos da competição para além da Capital, com o incentivo a roteiros turísticos que contemplem destinos como a Serra Gaúcha e outras regiões do Estado.
À frente da articulação das ações para a realização da competição em Porto Alegre, Débora Garcia destacou a proximidade do torneio, os indicadores de interesse do público e a necessidade de preparar a cidade para receber visitantes. “Faltam 253 dias para a Copa, e o tempo passa muito rápido. Parece que foi ontem que começamos a negociar a vinda da competição, ainda em 2023. No último sábado, tivemos quase 29 mil pessoas acompanhando o amistoso entre Brasil e Argentina no Beira-Rio, mesmo em meio ao feriadão. Esse tipo de mobilização mostra o potencial do evento, mas também nos faz pensar em como podemos ampliar o envolvimento da população e preparar Porto Alegre para esse momento”, afirmou.
A secretária também chamou a atenção para o interesse internacional na competição. Segundo ela, o Brasil já contabiliza 161 mil interessados em participar do programa de voluntariado, entre os quais há inscritos de países como Nigéria, Colômbia, México, Marrocos e Estados Unidos. Além disso, mais de 800 mil pessoas demonstraram interesse em comprar ingressos, sendo metade delas estrangeiras. “Precisamos compreender que o torcedor também é um turista, um consumidor e um embaixador do destino que visita. A experiência que ele terá em Porto Alegre pode influenciar a forma como vai falar da cidade e do Rio Grande do Sul quando voltar para casa. Por isso, precisamos recebê-lo muito bem”, ressaltou.
Para Débora, os preparativos devem considerar os impactos da Copa para além dos estádios. “A competição movimenta muito mais do que o futebol. Envolve viagens, hospedagem, alimentação, transporte, comércio e experiências turísticas. Precisamos qualificar os profissionais que atuam nesses setores para que estejam preparados para atender visitantes de diferentes países, inclusive com conhecimento de idiomas e das características desse público. É uma oportunidade de movimentar a economia, fortalecer o turismo e deixar um legado para a cidade e para o Estado”, concluiu.
Em consonância com a necessidade de preparar a Capital para receber os visitantes, o secretário estadual de Turismo, Raphael Ayub, ampliou a discussão para as oportunidades de desenvolvimento turístico em todo o Rio Grande do Sul. Segundo ele, a Copa deve ser compreendida como uma vitrine internacional para o Estado, especialmente por se tratar da primeira edição do torneio feminino na América do Sul e por Porto Alegre ser a única cidade da Região Sul a receber jogos. “A Copa é do Rio Grande inteiro. Porto Alegre será a porta de entrada, mas o destino é o Rio Grande do Sul. Precisamos oferecer produtos turísticos estruturados, roteiros, transporte, informação, hotelaria, gastronomia, experiências, comércio e eventos, com uma comunicação integrada que permita ao visitante conhecer tudo o que temos a oferecer”, destacou.
Ayub também chamou a atenção para a oportunidade de ampliar a permanência dos turistas no Estado, com roteiros que contemplem destinos como a Serra Gaúcha, o Litoral e o Vale dos Vinhedos. A realização da competição durante o inverno gaúcho, período de alta demanda turística, especialmente na Serra, reforça a importância de integrar diferentes regiões à programação dos visitantes. O secretário ainda ressaltou o perfil familiar associado ao público da Copa Feminina e a proximidade geográfica com países como Argentina e Uruguai, que pode favorecer a vinda de turistas dos países vizinhos: “Hoje, o turista não busca apenas uma cidade como destino, mas a experiência que pode viver naquele lugar. Por isso, precisamos pensar no ecossistema do turismo como um todo e trabalhar de forma articulada para que os visitantes encontrem boas opções em diferentes regiões do Estado”.
O secretário acrescentou que o Rio Grande do Sul já desenvolve ações para preparar o setor até 2027, com iniciativas voltadas à infraestrutura, ao crédito, à promoção turística e à qualificação das experiências oferecidas. Entre elas, citou o CrediTur RS, programa de financiamento destinado a empreendimentos turísticos que buscam ampliar suas operações e qualificar o atendimento. A proposta é fortalecer a estrutura do setor para aproveitar as oportunidades geradas pela competição e ampliar os resultados para além do período dos jogos.
Representando o setor hoteleiro, Cristiane Mörs, diretora de Vendas e Marketing da Rede Laghetto, destacou as oportunidades geradas pela Copa do Mundo Feminina para a hotelaria e os demais segmentos da economia. Com 37 anos de atuação, a rede possui empreendimentos em três cidades-sede da competição: Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro. “Um evento desse porte impacta toda a cadeia do comércio, dos serviços e do turismo. Precisamos nos preparar para acolher bem um cliente que, muitas vezes, está chegando pela primeira vez ao nosso Estado. Mais do que oferecer uma boa experiência durante a estadia, queremos deixar aquele gostinho de quero mais, para que ele tenha vontade de voltar e conhecer outros destinos do Rio Grande do Sul”, afirmou.
Cristiane também ressaltou a importância do investimento em iniciativas que ampliem o reconhecimento da marca e aproximem a rede de diferentes públicos. Como exemplo, citou o apoio da Laghetto ao esporte, incluindo o patrocínio à dupla Gre-Nal, estratégia que contribuiu para a expansão da rede para o Sudeste e para o fortalecimento de sua presença em nível nacional. Para a executiva, a Copa representa uma oportunidade de ampliar a visibilidade do Estado e consolidar relações com visitantes que poderão retornar ao Rio Grande do Sul em outras ocasiões.
A Copa do Mundo Feminina será realizada no Brasil entre 24 de junho e 25 de julho de 2027, com 32 seleções, 64 partidas e oito cidades-sede. Porto Alegre receberá sete jogos, seis pela fase de grupos e um pelas oitavas de final. A competição representa uma oportunidade para ampliar a visibilidade do Estado e movimentar diferentes atividades econômicas, com possíveis reflexos na cadeia do turismo, nos serviços e no comércio.