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Expressão Plural

Primavera

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Marina Oliveira
Por Marina Oliveira
Foto Arquivo pessoal

Penso que essa tristeza que aqui se instalou, de mala e cuia, cedo ou tarde terá de recolher as bugigangas que trouxe consigo e dar adeus. A porta de saída, que coincidentemente é aquela por onde entrou, já deixo aberta para que vá. E quando for, que se despeça, mas ao invés de encostar, que mantenha a porta aberta, pois sigo disposta a me fazer morada da revolta que chega quando este meu desencanto se for. 

Ainda que pouco saiba lidar com o que muito me inquieta e que me tome por completo o desconcerto, que assim seja e assim o faça, arrebate como quem se apropria, sem dó. 

Que me alcance o sentimento e, mais ainda, a ação. 

Ao medo, desejo que não me encontre e, se caso me avistar, que toda essa esperança lhe cause espanto, e fuja, aterrorizado com a inquietude de quem jamais deixou de acreditar.

Porque muito eu morro, mas tanto eu nasço, assim como as batalhas que decidi travar. Sim, muitas internas, mas outras tantas nada têm de individuais. 

Não há o que perder enquanto tiver pelo que lutar, repito repetidamente, até que a coragem encontre o caminho de volta. 

Não abandonarei a sede que me acompanha, frente à indigestão que ronda. Venho desta luta perdida, que muito me mantém aqui e em mim. 

Porque tudo se transforma e nada se perde quando persistimos. Amarga é a derrota daqueles que, por razões enraizadas, deixam de acreditar nas possibilidades de florescer. 

E ao perdê-los, perdemos nós, também, que com esperança acreditamos que não se entregariam assim.

Talvez nos custe tudo, a desistência, e por isso não perder a esperança é vencer, independente do fracasso. 

Porque muito mais me interessa conhecer e pouco me identifico com termos surrados pela repetição, como se verdade fossem; me agrada a sombra das árvores, o canto dos pássaros e abraços, bem como a liberdade de cantar. 

Ainda, não vejo sentido no ato de negar a subjetividade em detrimento próprio, percebe a oposição? 

Sem nunca perder a ternura, embora cascuda, da minha parte não contem com a desesperança. Não se trata de otimismo e positividade exacerbada, mas sim de fidelidade. 

Leal ao que acredito, ciente de que não há verdade absoluta, sigo com a porta e a mente abertas à esperança de ser e seguir. 

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