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Opinião

A mulher no Brasil não é palanque eleitoral

É prioridade permanente

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Dra. Ana Zampieri
Por Ana Beatriz Cosel Zampieri - Médica Ginecologista
Foto Ana Beatriz Cosel Zampieri

Na hora de pedir votos a grande maioria dos políticos usaram a “Mulher” como propaganda política.

Na eleição desse ano ouvimos muitos políticos alegando que são contra o feminicídio, que a saúde feminina vai melhorar e que haverá uma equiparação profissional entre homens e mulheres.

Enfim, a mulher apareceu nos palanques, nas propagandas, nas fotografias, nas promessas.

Foi lembrada como mãe trabalhadora, cuidadora, empreendedora e protagonista de uma sociedade que não existiria sem ela.

Mas é preciso fazer. Uma pergunta incômoda: Depois que assumirem seus cargos em janeiro de 2027, a mulher continuará sendo prioridade?

Não é possível aceitar que as nossas dores sejam lembradas apenas quando interessam às urnas.

Não é possível aceitar que nossa imagem seja utilizada como instrumento de campanha, enquanto nossas necessidades permanecem aguardando respostas.

Somos 52,8% do Eleitorado Brasileiro, mas ocupamos apenas 17,2% das cadeiras da Câmara de Deputados e 18,5% do Senado.

Os dados divulgados pela ONU Mulheres em setembro de 2026 revelam uma contradição que precisa ser enfrentada: somos a maioria do eleitorado e a minoria onde as decisões são tomadas.

Não se trata apenas de ocupar cadeiras. Trata-se de transformar a realidade de milhões de brasileiras. E não se trata em dizer que a mulher precisa ocupar seu espaço. É necessário criar condições para que ela possa ocupa-lo.

O voto feminino precisa valer mais do que um discurso.

Para tanto, uma proposta séria, precisa dizer o que será feito, como será feito, quem será o responsável, como será financiada e quais resultados serão acompanhados e medidos.

E principalmente: como podemos acompanhar e fiscalizar o cumprimento dessas promessas.

Não precisamos mais de discursos que nos coloque em um pedestal durante a campanha e no esquecimento logo depois.

Precisamos sim, de respeito. Poder caminhar pelas ruas sem medo, trabalhar com dignidade, envelhecer com qualidade de vida e viver nossos relacionamentos sem violência.

Precisamos saber que ao denunciar uma ameaça, encontraremos proteção, e se adoecermos teremos atendimento e que se decidirmos participa de política não seremos silenciadas ou intimidadas.

Então pergunte: Quando os holofotes dessa eleição se apagarem, quem lembrará que a mulher foi sua base de campanha?

A resposta precisa vir em ações!

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