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Cultura

Carros antigos: uma paixão que une a família

Ao lado da esposa e do filho, Cleber Zapello cultiva a paixão por veículos clássicos

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Cleber Zapello e sua esposa Letícia Zapello, juntos há 26 anos, acompanhados do filho Valentim Zapel
O jovem Cleber Zapello ao lado de seu Volkswagen TL 1972, de cor branca.
A família adquiriu novamente o modelo Volkswagen 1600 TL, ano 1971, na cor vermelha
Por Heric Oliveira
Foto Arquivo Pessoal

O amor por carros antigos tornou-se um importante alicerce para a família de Cleber Zapello. Natural de Getúlio Vargas e residente em Erechim há mais de duas décadas, ele cultiva o apreço por veículos do passado também dentro de casa. Aos 43 anos, é casado com Letícia Zapello, com quem mantém uma união há mais de 26 anos. O núcleo familiar cresceu com a chegada de Valentim Zapello, filho do casal, que atualmente tem 6 anos. Juntos, eles compartilham momentos de alegria e aventura em eventos de veículos clássicos, onde, desde cedo, a futura geração já começa a seguir os passos do pai.

A paixão por carros antigos é conhecida como antigomobilismo, um estilo de vida que leva muitas pessoas a preservar, restaurar e admirar relíquias que marcaram seu tempo. Integrante de uma família numerosa, com oito irmãos, Cleber é o caçula e, desde pequeno, costumava andar de carona com os irmãos, que possuíam carros da época. À medida que cresceu, começou a desenvolver o gosto por esses modelos de veículos.

Pouco depois de completar a maioridade, teve a oportunidade de adquirir o primeiro carro próprio: um Volkswagen TL 1972, de cor branca. Esse foi seu contato inicial mais próximo com um automóvel considerado uma antiguidade, experiência que também despertou sua admiração pela marca, que viria a acompanhá-lo ao longo dos anos.

A história de amor começou ainda nesse período, quando Cleber dividia sua atenção entre o seu “xodó” e a namorada Letícia, que viria a se tornar sua esposa. Com o passar dos anos de namoro e, posteriormente, com o casamento, a união do casal se fortaleceu ainda mais. Para realizar a festa e arcar financeiramente com os custos das comemorações, os dois acabaram tendo de vender o Volkswagen TL. Foi uma despedida difícil de um clássico carro brasileiro, produzido pela marca no Brasil durante a década de 1970. Para Cleber, negociar a relíquia foi um momento de tristeza.

“Com muita dor no coração, falei para a minha esposa que até venderia, mas que ela ficaria me devendo uma nova TL”, explicou.

A venda foi realizada em 2009 e, em seguida, veio o matrimônio. Nos anos seguintes, o casal passou a adquirir novos veículos, mas sempre preservando o gosto por modelos antigos. Entre os Volkswagen, tiveram exemplares do Gol BX, além da primeira e da segunda geração do modelo, conhecidas como “Gol Quadrado” e “Gol Bola”. Também fizeram parte da trajetória outros veículos, como o Ford Escort e o Ford Escort Hobby, sempre seguindo essa linha de carros “veteranos”.

Foi às vésperas do aniversário de Cleber, em dezembro de 2018, que um de seus clientes apareceu com uma Volkswagen 1600 TL à venda. Imediatamente, ele comentou com Letícia sobre o desejo de adquirir o veículo e fez uma proposta à esposa. “Do jeito que eu gostaria de ter”, contou ele sobre a conversa.

A partir de então, Cleber conseguiu adquirir novamente o modelo de sua estima, desta vez do ano de 1971, na versão “frente alta” e na cor vermelha. “Ali voltamos à nossa primeira paixão, que foi o nosso primeiro carro”, frisou.

De volta com a relíquia, o casal passou a fazer muitos amigos em eventos com outras pessoas que também compartilhavam do mesmo gosto. Nos finais de semana ou em ocasiões em que tinham tempo, os dois se divertiam em grupos de encontros de carros antigos e participavam de viagens realizadas por toda a região.

A história do casal ganhou um capítulo ainda mais especial em 2020, com o nascimento do primeiro e único filho. Ainda na barriga da mãe e depois quando criança, Valentim Zapello já participava, ao lado dos pais, dos encontros e mantinha contato com as “antiguidades”. Foram muitas caravanas, acampamentos e momentos que proporcionaram novas amizades e conexões, enquanto o pequeno já vivenciava esse ambiente movido pela paixão pelo antigomobilismo.

Com o passar do tempo e a necessidade de um espaço maior, além da convivência com amigos que possuíam Volkswagen Kombi, a família decidiu trocar de veículo, buscando mais comodidade e iniciando uma nova trajetória. Com a decisão tomada, a escolha foi por uma Volkswagen Kombi Motorhome, que viria a marcar uma nova etapa na vida da família em 2025. A compra da Volkswagen Kombi “Abelhinha” foi um passo importante, e o veículo permanece com eles até hoje.

No país, o modelo recebe esse apelido carinhoso e é popularmente utilizado para se referir às Kombis clássicas pintadas na charmosa combinação “saia e blusa”, em amarelo e branco. A junção das cores vibrantes com as curvas do utilitário remete ao padrão de uma abelha, tornando-se um dos visuais mais cobiçados por colecionadores e entusiastas.

A troca permitiu que Cleber e os familiares encarassem distâncias maiores e levassem mais bagagem, possibilitando a participação em um número maior de eventos do gênero. Atualmente, eles fazem parte do grupo “Amigos da Estrada”, de Erechim, que reúne mais de 50 integrantes e percorre as cidades da região, mantendo viva a memória afetiva e a nostalgia por meio da preservação dos carros antigos.

“Aonde podemos comparecer e pegar a estrada com o nosso comboio, estamos indo. Fazemos muitas amizades, nos divertimos, porque as pessoas dividem a mesma história, mas cada carro tem a sua. As famílias vêm de vários lugares e a troca de experiência cresce cada vez mais”, revelou.

Hoje, a nova geração também já criou laços com outras crianças cujos pais possuem suas próprias relíquias. “Ele é muito feliz, juntamente conosco, que podemos passar adiante para ele essa satisfação e carinho de ter um veículo do passado. Para nosso filho, é uma emoção muito grande”, disse Cleber, referindo-se a Valentim, que tem 6 anos.

“Esperamos que, com nossa Kombi ‘Abelhinha’, possamos continuar nossas viagens, acampamentos e nossa vida, tendo os prazeres do convívio de quem valoriza e ama carros antigos, acumulando histórias e contos, que passaremos para netos e assim por diante, formando sempre ainda mais amigos”, finalizou.

Assim como Cleber Zapello, milhares de pessoas cultivam a paixão pelo antigomobilismo e contribuem para manter viva a cultura e a tradição dos carros do passado. Neste mês, o município de Erechim recebe a Oktoberfest 2026, que será realizada nos dias 16 e 17 de outubro, no Parque da ACCIE. Durante a programação, acontece o 4º Encontro de Carros Antigos, promovido pelo Fusca Clube, reunindo veículos antigos, colecionadores, admiradores e visitantes. Mais do que preservar automóveis, encontros como esse mantêm vivas histórias, memórias e paixões que atravessam gerações.

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