Rony Gabriel (Podemos) ainda assimila o resultado das urnas. O agora ex-vereador vereador de Erechim (renunciou ontem), foi eleito deputado federal com 223.643 votos (destes, mais de 29 mil em Erechim), a quarta maior votação do RS. O desempenho ganhou dimensão ainda maior porque ele chegou à Câmara dos Deputados sem ocupar um mandato estadual ou federal e enfrentou uma disputa em que, entre os 18 candidatos mais votados do Estado, apenas ele não buscava a reeleição.
Eleição municipal de 2028
Em entrevista à TV Bom Dia nesta terça-feira (6), Rony falou sobre a campanha, a estrutura que pretende montar em Brasília, as prioridades para Erechim e o Alto Uruguai e o papel que pretende desempenhar no cenário político regional. A conversa também abriu espaço para um tema que já começa a entrar no radar das forças políticas locais, a eleição municipal de 2028. Sem anunciar candidatura, ele deixou claro que pretende participar das articulações e trabalhar para que o Podemos esteja na majoritária.
Banco Master
Rony atribuiu parte da repercussão de sua campanha à postura que adotou em relação ao Banco Master e ao Banco Central. Na entrevista, lembrou que recusou um contrato para atuar na melhoria da imagem do banco e na crítica ao Banco Central. O episódio, segundo sua avaliação, ajudou a consolidar uma imagem de independência diante de interesses que poderiam interferir em sua atuação política.
Montagem do gabinete e posse
O próximo passo é a montagem do gabinete em Brasília. Rony disse que já trabalha há alguns meses na formação de uma equipe e que pretende reunir profissionais que conheçam tanto o funcionamento da Câmara quanto as necessidades do RS. A intenção é chegar ao Congresso com estrutura para trabalhar desde o início do mandato. A posse ocorrerá em 1º de fevereiro de 2027.
Renúncia do mandato de vereador
Pensando no mandato federal, Rony renunciou à cadeira de vereador de Erechim, na sessão ordinária de ontem, 6. Em seu lugar assume o 1º suplente Flávio Barcellos (PL).
Relação com o Alto Uruguai
A relação com o Alto Uruguai aparece como uma das principais marcas do discurso do deputado eleito. Rony afirma que a região se acostumou, durante décadas, a buscar pequenas emendas parlamentares, muitas vezes comemoradas como grandes conquistas. Na sua avaliação, o problema está justamente na escala dos recursos. Enquanto outras regiões conseguem investimentos maiores e estruturantes, o Alto Uruguai acabou dependente de pedidos pontuais feitos a diferentes parlamentares.
Prioridades do mandato
A promessa é mudar a lógica. Rony citou como prioridades o Hospital Santa Terezinha, que enfrenta déficit próximo de R$ 10 milhões por ano, a Transbrasiliana, a infraestrutura viária de Erechim, entre outros. Para ele, o papel do deputado não será apenas buscar emendas, mas articular projetos que preparem a região para um ciclo maior de desenvolvimento.
Erechim como posição estratégica
Na entrevista apresentou uma visão de longo prazo para a infraestrutura regional. Defendeu a ligação ferroviária entre Santa Catarina e o Alto Uruguai, relacionando a discussão à possibilidade de novos corredores de exportação e ao futuro porto de Arroio do Sal. A Transbrasiliana, nesse cenário, seria parte de uma estrutura maior de conexão entre Erechim, Passo Fundo, os portos gaúchos e as fronteiras. A ideia central é fazer com que Erechim deixe de ser vista como o fim do Estado e passe a ocupar uma posição estratégica.
Oposição a nova reforma tributária: “tem que ser revogada 100%”
Outro tema levantado foi a reforma tributária. Rony demonstrou forte oposição ao modelo em implantação e afirmou que a mudança poderá reduzir a arrecadação de municípios do Alto Uruguai e aumentar a dependência de transferências e emendas: “ela tem que ser revogada 100%”. Defende uma revisão ampla do sistema tributário, maior autonomia municipal e uma mudança no Pacto Federativo. Também sustentou a criação de um fundo específico para a região Sul, à semelhança dos mecanismos existentes para Norte e Nordeste.
Posição econômica segue linha liberal e conservadora
A posição econômica anunciada por Rony segue a linha liberal e conservadora que marcou sua campanha. Ele defende maior liberdade econômica, facilidade para abertura de empresas, redução da burocracia e educação de qualidade desde a base. Ao mesmo tempo, afirma que a assistência social precisa atender quem realmente necessita e citou como exemplo a experiência do presidente do Podemos de Erechim, Mikael Kasmirski, que conseguiu encaminhar mais de mil pessoas do Bolsa Família para o mercado de trabalho.
Formação de um novo grupo politico
O novo deputado também falou sobre o futuro do Podemos. A intenção declarada é evitar um partido inchado apenas pela quantidade de votos ou pela popularidade de seus integrantes. Rony disse que pretende estabelecer critérios para a formação de um grupo político com pessoas que tenham identificação com liberdade econômica, valores conservadores e uma visão de desenvolvimento para Erechim, mas que também apresentem resultados concretos em suas áreas de atuação.
Estrratégias para as eleições municipais de 2028
A estratégia começa pela construção de uma nominata de vereadores e pela presença do Podemos na chapa majoritária em 2028 e ele estará na mesa de negociações. A condição é que haja convergência em torno de uma proposta de desenvolvimento para a cidade. O discurso é de diálogo, mas com uma linha política definida: “Embora seja cedo para falar sobre isso, eu tenho um pensamento de cidade que é a minha postura desde quando vereador. Esse pensamento vai continuar. Eu não quero buscar somente pessoas que pensam de forma totalmente igual a mim. Mas pessoas que pensem parecido com o desenvolvimento e que venham para agregar, não com o meu partido, mas com a nossa cidade”, pontuou.
Não pretende se mudar de Erechim
Apesar da agenda nacional que o espera, Rony afirmou que não pretende se mudar de Erechim. A ideia é viajar semanalmente para Brasília e manter a família na cidade. Casado, pai de dois filhos pequenos. Justificou a decisão como uma questão de coerência pessoal. Se o discurso político é de valorização da família, precisa começar pela própria casa.
Os desafios
A partir de agora, o desafio será transformar os 223.643 votos em capacidade de articulação, recursos, projetos e resultados. Para Erechim e o Alto Uruguai, a expectativa é que a presença de um deputado federal com votação tão expressiva ajude a tirar da pauta antigas reivindicações e colocá-las, finalmente, na agenda de Brasília.