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Saúde

Cuidados paliativos avaliam quando tratamentos ainda trazem benefícios

Decisões consideram sintomas, qualidade de vida, autonomia e os efeitos de cada intervenção ao longo da doença

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Cuidados paliativos priorizam conforto, autonomia e qualidade de vida
Por Assessoria de Comunicação
Foto Divulgação

Ter uma doença avançada não significa, necessariamente, estar no fim da vida. Uma mulher com câncer de mama e metástase óssea, por exemplo, pode conviver por anos com o tumor. Nesse contexto, os cuidados paliativos podem ser indicados desde fases mais precoces da doença, com o objetivo de aliviar sintomas, oferecer conforto e preservar a qualidade de vida.

A abordagem considera, entre outros aspectos, a proporcionalidade dos tratamentos. A avaliação busca responder se determinada intervenção terá impacto positivo na vida do paciente ou se produzirá apenas um resultado biológico, sem benefício significativo para seu bem-estar.

Quando o tratamento deixa de trazer benefícios

Em algumas situações, procedimentos e medicamentos podem atingir determinados objetivos clínicos, mas ter pouca possibilidade de proporcionar uma sobrevida com qualidade. É o chamado tratamento potencialmente inapropriado. Um exemplo é a manutenção da quimioterapia em um paciente cuja doença continua avançando e que apresenta piora clínica. Outro ocorre quando infecções são tratadas repetidamente com antibióticos em uma pessoa que não apresenta resposta e passa por internações sucessivas.

A avaliação da proporcionalidade acompanha todo o cuidado paliativo, mas ganha importância na fase final da vida, quando os efeitos de determinados tratamentos podem causar mais desconforto do que benefícios.

Suspender tratamentos pode trazer melhora

A retirada de um tratamento considerado desproporcional não significa abandonar o paciente. Em determinadas situações, a suspensão de uma terapia que provoca efeitos adversos pode resultar em melhora do humor, do ânimo, da interação social e da capacidade de realizar atividades cotidianas.

Estudos com pacientes com câncer avançado já avaliaram situações em que a quimioterapia foi interrompida por não oferecer mais benefícios compatíveis com seus efeitos. Nesses casos, a redução de febre, infecções e hospitalizações pode proporcionar mais qualidade de vida. A melhora, porém, não implica necessariamente a retomada da quimioterapia, especialmente quando o tratamento foi justamente o responsável pelos impactos negativos.

Por outro lado, estar em cuidados paliativos não significa suspender todo tipo de tratamento. Um paciente com doença neurodegenerativa que apresenta uma infecção pulmonar, por exemplo, pode receber atendimento intensivo e, após a recuperação, retornar ao seu estado funcional anterior. Intervenções podem ser realizadas quando há possibilidade de proporcionar mais tempo de vida com qualidade.

Conforto e autonomia orientam as decisões

Na fase final da vida, pode ocorrer a chamada desprescrição, que consiste na retirada de medicamentos sem benefício relevante para aquele momento. Um remédio utilizado para controlar o colesterol, por exemplo, pode deixar de ser necessário em um paciente terminal. Já medicamentos voltados ao conforto, como analgésicos, antieméticos, remédios para o sono e laxantes, são mantidos conforme a necessidade.

As decisões devem envolver o paciente, seus familiares e a equipe de saúde. A proposta é avaliar cada intervenção de acordo com os objetivos e valores da pessoa, em vez de seguir protocolos de forma automática. A Resolução nº 2.232/2019 do Conselho Federal de Medicina (CFM) estabelece parâmetros relacionados à autonomia do paciente, inclusive quanto à possibilidade de recusar tratamentos.

Nos cuidados paliativos, o paciente permanece no centro das decisões. Ele pode participar diretamente das escolhas ou, se desejar, delegá-las à família. O diálogo entre paciente, familiares e profissionais de saúde busca alinhar as decisões, preservar a autonomia e evitar conflitos durante a evolução da doença.

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