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Volume de chuvas e fortes ventos provocam queda de árvores e galhos no Parque Longines Malinowski

Deque das Araucárias foi interditado temporariamente; Secretaria de Meio Ambiente prevê manutenção e desobstrução das trilhas

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Reportagem do Jornal Bom Dia registrou queda de galhos e de árvores nativas do Parque Natural, que o
Volume de chuvas e fortes ventos provocam queda de árvores e galhos no Parque Longines Malinowski
Interdição do Deque das Araucárias, estrutura próxima à Rua Henrique Dias, devido aos danos causados
Por Marina Oliveira
Foto Marina Oliveira

As chuvas intensas, os ventos fortes e o granizo registrados no início desta semana na região, causaram a queda de árvores nativas e de galhos no Parque Natural Municipal Longines Malinowski, em Erechim.

Desde dezembro de 2022, o parque conta com trilhas revitalizadas e jardins renovados, com circulação frequente de moradores do município, também de turistas. A reportagem do Jornal Bom Dia registrou a queda de galhos e árvores nativas do Parque Natural, que obstruíram trechos da Trilha das Araucárias, além da interdição do Deque das Araucárias, estrutura próxima à Rua Henrique Dias, devido aos danos causados pela queda de galhos.

 

Manutenção e desobstrução

Em nota, a Secretaria de Meio Ambiente de Erechim informou que tem conhecimento da situação e que ocorrências do tipo são esperadas no parque, devido à grande quantidade de árvores. Segundo a pasta, serão feitas manutenção e consertos necessários, avaliação dos deques para verificar possível comprometimento de estruturas e desobstrução das trilhas, que são a prioridade no momento.

A secretaria informou ainda que as árvores e os galhos caídos não são retirados do parque. Permanecem no local para serem incorporados à natureza.

 

Quando há risco?

O coordenador da Defesa Civil Municipal, Vagner Manica, explicou que árvores de grande porte que representam risco podem ser removidas com autorização. Como exemplo, Manica mencionou exemplares da avenida.

"Sobre árvores que podem representar perigo, como as de grande porte, inclusive algumas da avenida, muitas pessoas foram contra a retirada, e eu entendo isso, mas há árvores que colocam em risco. Podem cair em cima de uma pessoa ou de um carro que esteja passando", disse.

Sobre as árvores em residências, o coordenador orientou para que a população fique atenta. "Quem tem em casa árvores de grande porte, como araucária, coqueiros, aquelas palmeiras gigantes, que apresentem risco, têm que retirá-las. O vento ou a quantidade de chuva que encharca o solo pode amolecê-lo e a árvore cair. A árvore pode estar sadia, mas pode cair", explicou.

Segundo o coordenador, outros fatores também podem derrubar esses exemplares. "Devido ao solo encharcado, ela pode se deitar e pender por causa do peso, e até um raio, o próprio vento ou alguma doença na árvore pode derrubá-la. Por isso, não medimos esforços para autorizar as pessoas a retirarem árvores de grande porte que apresentam risco", afirmou.

A Defesa Civil orienta ainda que, após a retirada de uma árvore de grande porte, seja plantada uma de porte menor, para que haja um novo ciclo da natureza. Conforme Manica, a retirada ocorre dentro dos trâmites legais e somente para árvores que oferecem risco. Para as que não oferecem, não há autorização.

 

Causa e efeito

A tecnologista e paisagista erechinense, Ana Rosa Oliveira, responsável pelo Laboratório da Paisagem no Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, avaliou de forma positiva a decisão de manter as árvores no parque. Formada em Engenharia Florestal pela UFSM, ela é professora do Mestrado Profissional em Arquitetura Paisagística da UFRJ.

"A ideia de manter as árvores que caíram, os troncos no lugar, é boa, porque isso volta para a natureza. Volta para o ciclo da matéria orgânica: ela vai se decompor e retornar", afirmou.

Sobre as causas das quedas, a especialista explicou o conceito de árvore de risco. "Chamamos de árvores de risco aquelas que estão desequilibradas na forma. Por exemplo, se estiver com os galhos mais pesados para um lado do que para o outro, tende a cair sobre a parte mais pesada", disse.

Para o caso do parque, Ana Rosa avaliou que houve associação entre vento e solo muito úmido, conforme o volume de chuva. "As que tombaram podem ter caído porque o solo fica muito úmido e o ponto de apoio no terreno, com excesso de vento, funciona como uma alavanca: o vento age sobre a copa, a base está muito úmida e solta, e ela cai", explicou, e exemplificou “recentemente, na semana passada, também ocorreu a queda de uma árvore de grande porte aqui no Jardim Botânico”, concluiu.

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