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Opinião

Quando a pressão pelo voto vira assédio eleitoral

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Por Rodrigo Finardi
Foto Luciane Bueno

A eleição entrou na reta final (falta cinco dias). E o assédio eleitoral também pode entrar no celular dos eleitores. Não precisa acontecer dentro da fábrica ou do escritório. Pode chegar pelo WhatsApp, no grupo da empresa, em uma mensagem privada ou até em um convite aparentemente inocente.

Uma coisa é declarar preferência política. Outra é usar o emprego, o salário ou uma posição de chefia para pressionar alguém a votar em determinado candidato.

Cobrar publicação de santinho no status. Exigir participação em carreata. Perguntar em quem o funcionário vai votar. Associar a permanência no emprego ao resultado da eleição. Ameaçar, constranger ou prometer vantagem em troca de apoio político.

Isso pode configurar assédio eleitoral.

E o problema não é pequeno. Até 24 de setembro, o Ministério Público do Trabalho havia recebido 583 denúncias de assédio eleitoral em 2026. A Justiça do Trabalho também registrou 738 processos relacionados ao tema entre 2023 e 2026.

O WhatsApp virou uma das principais ferramentas utilizadas nessas situações. Por isso, atenção. Print não é fofoca quando pode ser prova.

Quem sofrer pressão deve guardar as mensagens, áudios, vídeos e capturas de tela. Não apagar conversas. Registrar datas, horários e quem participou. Preservar o contexto pode fazer diferença.

Não é toda conversa política que configura assédio. O que importa é a existência de pressão, ameaça, promessa de vantagem, discriminação ou constrangimento ligado à relação de trabalho.

Denúncias de assédio eleitoral no ambiente de trabalho podem ser encaminhadas ao Ministério Público do Trabalho. O TSE também possui canais próprios para denúncias relacionadas à propaganda irregular e à desinformação eleitoral.

O voto é secreto e livre. E o chefe pode até ter candidato. O trabalhador também pode. O que não pode é transformar o contracheque em cabo eleitoral. Na urna, o eleitor não é funcionário de ninguém.

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