21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Opinião

Os exemplos de nossas façanhas

teste
Neusa
Por Neusa Cidade Garcez - Mestre em História Ibero Americana Historiógrafa Concursada e Pesquisadora – URI Erechim - Membro da AEL
Foto Neusa Cidade Garcez

Considero nosso Hino Nacional o mais belo do mundo, seguido pelo francês.

Entretanto, o mais emotivo, o que me provoca lágrimas é o nosso “Hino Riograndense”. O mês de setembro move a imaginação e a fibra do povo gaúcho, ao relembrar e comemorar a Revolução Farroupilha e seus próceres.

A citada revolução, praticamente, provoca outra semelhante entre historiadores, pesquisadores, escritores, os quais apresentam variadas versões.

Uma delas é a dos “Lanceiros negros”, cuja ação foi de fundamental ajuda para os Farrapos. Um grupo de 408 negros escravizados, libertos ou trabalhadores do campo, foram recrutados nas charqueadas de Pelotas, cujo ciclo do “charque” fora iniciado pelo português José Pinto Martins, que saindo do Nordeste em 1870, trouxe seu conhecimento sobre a salga da carne, para o Sul.

O grupo recrutado e armado com enormes lanças, facões e, alguns, com boleadeiras, foi criado em 12 de setembro de 1836, e divididos em oito companhias de 50 homens. Eram liderados por Joaquim Teixeira Nunes, o “Gavião”. Havia, no momento de recrutamento dos lanceiros, a promessa da liberdade após a luta contra os imperiais. Porém, segundo historiadores, o Império era contrário à ideia de alforriar os negros. Assim, armou-se uma ignóbil traição. Caxias e o farrapo David Canabarro teriam acordado desarmar os lanceiros e acampá-los separado de combatentes brancos e índios e exterminá-los. O acontecimento sangrento ocorreu na madrugada de 14 de novembro de 1844 no Cerro dos Porongos. Tropas imperiais do Comandante Francisco Pedro dos Santos, o “Moringue” dizimaram mais de 100 lanceiros.

Os bravos defensores da revolta farrapa eram empregados nas linhas de frente – ao que corresponderia, hoje, às formações dos blindados –, morreram valentemente sem receber o cumprimento da liberdade aos que sobreviveram, ao final da contenda.

Foram traídos e esquecidos. Mas, cedo ou tarde, a História reabilita os justos. Finalmente em janeiro de 2024 os “Lanceiros Negros” tiveram seu nome escrito no “Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria”.

Quanto ao nosso herói maior, Bento Gonçalves, escritores, estudiosos e mesmo leigos, ainda esgrimem ao denominá-lo e avaliá-lo. Durante minhas pesquisas e buscas de mais de dois anos e meio, o maior tempo nos 19 departamentos do Uruguai, para meu Mestrado, analisando as relações sociais, políticas e econômicas da Banda Oriental com os Farrapos e o Império, constatei dados interessantes e esclarecedores. Dados que não me autorizaram a criticar ou aplaudir nenhuma ação. Como pesquisadora “Pertinaz e Responsável”, como fui classificada pelo meu Orientador, o Dr. Earle Maccarthy da PUC, devo apenas colocar o que pesquisei.

Para o historiador uruguaio, Alfredo Varela, na época da Revolução Farroupilha, o Rio Grande do Sul era uma zona de origem brasileira, mas uruguaia de costumes. Já o escritor, meu professor e amigo, Dr. Moacir Flores, discorda e afirma que tal revolução procurava impor o ideário liberal, isto é, maior autonomia do Legislativo, evitando a ditadura do Executivo.

Os farroupilhas lutaram dez anos contra o Império, no referido propósito e contra o descaso sofrido pelo RS. Também nos é mostrado, pelas pesquisas, o envolvimento de Bento Gonçalves com Oribe e Rivera, líderes uruguaios.

Lembremos que Bento participou da campanha uruguaia de 1811, já residindo em Cerro Largo, onde possuía uma enorme estância e, onde ocupou o cargo de “Alcalde”. Era casado com Dona Cayetana Garcia, descendente de espanhóis.

Curioso é apontar que desafetos de Bento, até hoje o acusam de possuir dentro do Uruguai, não uma, mas várias estâncias, aproveitando o excelente pasto uruguaio, e trazia a sua gadaria para vender no Brasil sem pagar aduana ao Uruguai.

A carreira de Bento foi em um crescendo. Em 1825, após participar de guerrilhas das tropas luso-brasileiras, voltou ao RS como Coronel e passou a comandar a fronteira de Jaguarão, onde protegia caudilhos uruguaios em necessidade. Muitos eram seus compadres.

Historiadores, por mim pesquisados, como Aurélio Porto, Souza Doca e Dante de Laytano, entre tantos outros, consideram a revolução Farroupilha como um movimento ligado ao Ciclo Revolucionário Brasileiro, apesar do envolvimento com o Prata.

A história mostra claramente a forte ligação que existia entre os líderes uruguaios e os farroupilhas, porém não se pode afirmar que o movimento dos farrapos seja de origem platina. Esse é um debate que há muito existe nas várias linhas da Historiografia Gaúcha. O que fica claro é o fato de Bento Gonçalves, desejar manter a soberania da República, sem interferências estrangeiras, consoante os ensinamentos liberais.

O que importa nas comemorações de 20 de setembro é termos a certeza e o orgulho de sermos um povo correto, justo, digno, batalhador por seus ideais e como diz nosso amado Hino: “Sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra”.

Leia também

Publicidade

Blog dos Colunistas

;