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Política

“O RS precisa recuperar capacidade de gestão e voltar a crescer”

Candidato a vice-governador, Edegar Pretto (PT) esteve em Erechim na noite de quinta-feira, 24, e falou sobre contas públicas, infraestrutura, saúde, educação, produção e reforma tributária

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Edgar Pretto (PT) afirmou que pretende aumentar a articulação com o governo federal para buscar recu
Por Rodrigo Finardi
Foto Debora Beina/Divulgação

O candidato a vice-governador do RS, Edegar Pretto (PT), esteve em Erechim na noite de quinta-feira (24), onde participou de entrevista coletiva e apresentou as principais propostas da chapa encabeçada por Juliana Brizola (PDT. A conversa passou pela situação financeira do Estado, infraestrutura, saúde, educação, produção agrícola, reforma tributária e pela relação com o governo federal.

Última entrevista do 1º turno

Esta é a última entrevista no primeiro turno, com os candidatos ao Piratini. Já foi publicado material com Zucco (PL) e Gabriel Souza (MDB), quando estiveram em agenda em Erechim. Como Juliana Brizola, não esteve no município durante o período eleitoral, para manter isonomia entre os candidatos, o Jornal Bom Dia, entrevistou o candidato a vice.

Déficit orçamentário do Estado

Ao responder sobre como pretende financiar as propostas anunciadas pela coligação, Pretto reconheceu que o cenário econômico do RS é difícil. Citou o déficit de R$ 4,8 bilhões previsto no projeto de orçamento apresentado à Assembleia Legislativa e questionou o argumento de que a venda de patrimônio público teria sido suficiente para equilibrar as contas. Para ele, o Estado precisa voltar a crescer para ampliar sua capacidade de arrecadação.

Banrisul, Badesul e BRDE

A proposta apresentada por Pretto é criar um novo projeto de desenvolvimento, utilizando instituições como Banrisul, Badesul e BRDE como parceiras de setores produtivos considerados estratégicos. Também afirmou ser favorável a concessões e parcerias público-privadas, desde que os contratos ofereçam segurança jurídica, preços considerados justos e garantam a execução das obras.

Fundo específico para os três Estados do Sul

Na infraestrutura, destacou que o Estado tem à disposição mais de R$ 10 bilhões para investimentos, recursos relacionados à suspensão temporária do pagamento da dívida com a União. Defende a prorrogação desse mecanismo por mais dois ou três anos e uma mobilização envolvendo deputados, lideranças e demais poderes para negociar com Brasília. Também propôs a criação de um fundo específico para os três Estados do Sul, diante dos impactos provocados pelas mudanças climáticas.

Base para sustentar novo ciclo econômico

O candidato afirmou que pretende aumentar a articulação com o governo federal para buscar recursos destinados ao RS. Disse que a agricultura, a indústria, as universidades, o solo e a mão de obra formam uma base capaz de sustentar um novo ciclo econômico. Também chamou atenção para pesquisas que identificaram a presença de minerais e terras raras no Estado: “Temos que participar na industrialização desses recursos, agregando valor dentro do próprio território”, pontuou o candidato.

Infraestrutura é prioridade no Alto Uruguai

Para Erechim e o Alto Uruguai, o candidato colocou a infraestrutura entre as prioridades. Reconheceu a força econômica da região e afirmou que uma área que produz precisa de melhores condições para transportar sua produção. Disse que, se a chapa for eleita, pretende concluir obras já decididas ou em andamento, mantendo iniciativas consideradas positivas e com novos investimentos.

Mesma empresa tem que fazer projeto, executar a obra e dar manutenção

Uma das mudanças, segundo o candidato, está no modelo de contratação das obras rodoviárias. Pretto propôs contratos mais longos, de cinco ou dez anos, permitindo que uma mesma empresa desenvolva o projeto, execute a obra e faça a manutenção. Segundo ele, o modelo reduziria a necessidade de novas licitações para cada intervenção e evitaria que a burocracia faça as obras atravessarem mandatos sem conclusão.

Falta de gestão regional como gargalo da saúde

Na saúde, Pretto apontou a falta de gestão regional como um dos principais gargalos. Sinaliza com a aplicação de 12% do orçamento estadual na área e uma presença maior do governo do Estado na organização dos serviços: “municípios que constitucionalmente precisam investir 15% de suas receitas acabam, em alguns casos, destinando cerca de 30% à saúde”, sublinhou

Escola em tempo integral

Na educação, destacou a proposta de escola em tempo integral defendida por Juliana Brizola, com valorização dos professores e servidores. Pretto citou informações atribuídas à Secretaria Estadual da Educação sobre problemas de infraestrutura em escolas e criticou o excesso de tarefas burocráticas. O modelo defendido prevê, além das atividades escolares, cultura, esporte, alimentação e proteção aos estudantes, em parceria com os municípios.

Em busca do diálogo em eventual disputa do segundo turno

Sobre uma eventual disputa de segundo turno, Pretto afirmou que buscará o diálogo com todos os partidos que ficarem fora da etapa decisiva. Recordou a eleição de 2022, quando recebeu 1,7 milhão de votos e terminou a apuração atrás de Eduardo Leite por 2.441 votos. Segundo ele, naquele segundo turno declarou apoio ao atual governo em defesa da democracia e da soberania.

Impactos da reforma tributária na região

Ao falar sobre a reforma tributária e seus possíveis efeitos para os municípios do Alto Uruguai, Pretto afirmou que ainda existem pontos a serem definidos durante a transição. “o Estado necessita fazer um levantamento dos setores que possam perder arrecadação e cobre mecanismos de compensação. A reforma tem como essência facilitar e desburocratizar a atividade econômica, mas seus efeitos regionais precisam ser acompanhados”, ressaltou.

Plano Safra Gaúcho

Na agricultura, área que relacionou à sua experiência à frente da Conab, Pretto discorreu sobre a adaptação das práticas produtivas às mudanças climáticas. Citou um protocolo de manejo pesquisado pela Embrapa e aplicado por cooperativas, com medidas como cobertura verde, plantio em curvas de nível e respeito às microbacias. Propôs um Plano Safra Gaúcho complementar ao nacional, com mais recursos, juros menores e prazos maiores.

Melhorias do solo gaúcho

Outro ponto apresentado foi a necessidade de melhorar as condições do solo gaúcho. Pretto citou pesquisa segundo a qual existe um déficit de calcário de 40% no solo do RS em comparação com áreas de Mato Grosso. Como o insumo é produzido no próprio Estado, pretende uma política que direcione o calcário às propriedades que necessitam, buscando elevar a produtividade e a arrecadação. Para a agricultura familiar, propôs uma rede de abastecimento em parceria com cooperativas e associações, com postos de armazenamento mais próximos dos grandes centros consumidores.

Atenção ao Alto Uruguai

Ao longo da coletiva, Pretto sustentou que o RS, precisa recuperar capacidade de gestão e voltar a crescer, colocando o Alto Uruguai entre as regiões que, segundo ele, devem receber atenção dentro desse projeto.

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