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Economia

Presidente da ACCIE comenta queda da Selic para 13,75% ao ano

Quinto corte consecutivo reduz taxa básica de juros, mas empresários defendem redução mais rápida para estimular investimentos e competitividade

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Por Carlos Silveira
Foto Arquivo BD

 O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu, nesta quarta-feira (16), a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, de 14% para 13,75% ao ano. A decisão foi unânime e representa o quinto corte consecutivo.

 A redução de 0,25 ponto percentual ocorre em um cenário de desaceleração da inflação, mas ainda marcado por incertezas. Em agosto, o IPCA registrou deflação de 0,32%, enquanto o acumulado em 12 meses recuou de 4,44% para 4,22%.

 Apesar da melhora dos indicadores de inflação, o Banco Central mantém cautela diante do cenário externo, incluindo conflitos no Oriente Médio, volatilidade nos preços de ativos e commodities e possíveis efeitos do fenômeno El Niño sobre os alimentos.

Impactos na economia

 A Selic é uma das principais referências para os juros praticados na economia. Sua redução tende a diminuir, gradualmente, o custo de algumas modalidades de crédito, embora o repasse para empréstimos, financiamentos e cartões não seja imediato nem proporcional.

 Para consumidores e empresas, juros menores podem favorecer financiamentos, capital de giro e investimentos. No comércio, condições de crédito mais acessíveis podem estimular compras parceladas e contribuir para a movimentação do consumo.

 Por outro lado, aplicações financeiras vinculadas à taxa básica, especialmente investimentos de renda fixa pós-fixados, tendem a oferecer remuneração menor com a queda dos juros.

Empresariado defende redução mais rápida

 Para o presidente da Associação Comercial, Cultural e Industrial de Erechim (ACCIE), Darlan Dalla Roza, a redução da Selic é importante, mas ainda insuficiente diante do nível dos juros no país.

 “Saímos de uma Selic de 15% e ela vem sendo cortada em 0,25% a cada reunião do Copom. Esperamos que essa sequência continue e em uma velocidade maior, porque os investimentos de médio e longo prazo são inviáveis pela taxa de juros que temos hoje e que vem perdurando há bastante tempo”, afirma.

 Segundo Dalla Roza, investimentos em infraestrutura, turismo e modernização das empresas são afetados pelo custo do dinheiro. Ele considera que o turismo poderia ser um importante motor de desenvolvimento para o Alto Uruguai e para o país, mas avalia que projetos de maior porte acabam sendo dificultados pelo cenário financeiro.

 O presidente da ACCIE também chama atenção para a competitividade da indústria brasileira diante dos produtos chineses. Segundo ele, a produção em escala e os subsídios oferecidos pelo governo chinês colocam empresas brasileiras em situação de desvantagem, inclusive em segmentos como veículos elétricos e equipamentos industriais.

Crédito para modernização

 Para enfrentar essa diferença de produtividade, Dalla Roza aponta a automação industrial como um dos caminhos. Entretanto, segundo ele, faltam linhas de crédito com custos compatíveis para que as empresas possam investir em novas tecnologias. “Teríamos que ter linhas de crédito de 6% a 8%, que viabilizariam muito o investimento”, defende.

 Na avaliação do dirigente, uma redução mais significativa dos juros poderia estimular a retomada dos investimentos e melhorar a competitividade da indústria brasileira, com reflexos também no comércio e no setor primário.

 Dalla Roza manifesta preocupação ainda com os efeitos dos juros elevados associados ao aumento da carga tributária. Segundo ele, empresas estão adotando medidas como férias coletivas, redução de contratações e demissões.

 “É uma preocupação muito grande que a gente tem com a carga tributária aumentando e os juros altos. Uma tempestade perfeita para que nosso PIB encolha”, afirma.

 A nova Selic de 13,75% ao ano representa mais uma etapa do ciclo de redução iniciado em março. A continuidade desse movimento dependerá da evolução da inflação, da atividade econômica e das condições internas e externas acompanhadas pelo Banco Central.

Legenda: Darlan Dalla Roza, presidente da ACCIE

Foto: Arquivo BD

 

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