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Economia

Sistema FIERGS aborda potenciais do acordo Mercosul-UE, mercado asiático e inteligência de mercado para exportações

Seminário promoveu atualizações para empresários e profissionais que atuam ou desejam ingressar no comércio exterior

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Por Assessoria
Foto ASCOM

 O Sistema FIERGS promoveu, nesta quinta-feira (17), uma série de painéis voltados à atualização de empresários e profissionais que atuam ou desejam atuar no comércio exterior. Entre os temas discutidos estiveram o acordo entre Mercosul e União Europeia, os potenciais do mercado asiático e o uso de tecnologia e inteligência de mercado para ampliar a carteira de clientes.

Na abertura do evento, gerente de Relações Internacionais e Comércio Exterior do Sistema FIERGS, Luciano D’Andrea, destacou a diversidade da economia do Rio Grande do Sul e a necessidade de atualização diante de um cenário internacional marcado por mudanças geopolíticas cada vez mais frequentes. “O mundo está em constante transformação e o RS depende do comércio exterior. Temos pequenas, médias e grandes empresas que atuam no mercado exterior nos diversos segmentos da indústria, do agronegócio e dos serviços”, avaliou.

O acordo entre Mercosul e União Europeia esteve entre os principais temas do seminário. A executiva do Conselho de Comércio Exterior da FIERGS, Thaisa Rodrigues, e a analista técnica do Conselho de Comércio Exterior da FIERGS, Gabriela Toledo, destacaram os potenciais benefícios do entendimento em um cenário internacional marcado pela redução do multilateralismo, pela criação de barreiras tarifárias e por regulamentações que dificultam o livre comércio. “Um dos melhores benefícios é que os acordos nos dão previsibilidade. E a União Europeia é um mercado muito importante para o Brasil, é o maior investidor internacional no país”, considerou Thaisa. Estudo da FIERGS aponta que cerca de 1,5 mil produtos podem ser inseridos na pauta exportadora para o bloco europeu. Além disso, o acordo possibilita acesso a um mercado de 700 milhões de pessoas.

Thaisa também abordou as exigências regulatórias e os caminhos para empresas que desejam começar a exportar. Já Gabriela destacou que o contexto de declínio do multilateralismo afeta a competitividade da indústria brasileira. “Temos que ter mais capacidade de negociação de contratos. Não ter um acordo com os EUA, por exemplo, nos deu muita incerteza, e temos sofrido com isso”, complementou.

A importância de conhecer a cultura dos países antes de fechar negócios internacionais também foi tema dos debates. Carlos Ramiro Fensterseifer, consultor da área de marketing e gestor de parcerias estratégicas e comerciais entre Brasil e Ásia, explicou como a confiança e as relações interpessoais são essenciais em diversos países do continente asiático. “Eles valorizam muito a reciprocidade, a conexão e os laços, além de uma série de condutas que precisam estar de acordo com a filosofia deles, como respeito, proteção do grupo, reputação e dignidade”, comentou.

Além do conhecimento sobre diferentes culturas, o evento abordou o uso da inteligência de mercado para ampliar a carteira de clientes com planejamento. No painel “Da análise ao embarque: como a inteligência de mercado garante exportações seguras e assertivas”, o executivo comercial Jéferson Diniz, o analista técnico especializado na Gerência de Comércio Exterior e Relações Internacionais da FIERGS Matheus Muttoni e o responsável pela área de Comércio Exterior da Insul, Henrique Dalpian, trataram da importância da assessoria documental e da pesquisa de mercado antes da venda para estabelecer as melhores parcerias.

Os participantes também destacaram a necessidade de considerar aspectos culturais e as exigências burocráticas de cada mercado, além do planejamento da cadeia logística. “É preciso se perguntar primeiramente se o seu produto é exportável. Depois, é preciso traçar um plano de ação de acordo com a cultura do país. Por exemplo, aqui na América Latina sabemos que o melhor é ir bater na porta de quem você deseja que seja o seu parceiro. É melhor do que mandar um e-mail genérico. Também é importante pensar na cadeia logística. Como o seu produto vai chegar até o cliente?”, ponderou Dalpian.

 

CAMUNDONGOS, PISTA DE BOLICHE E SEREISMO

O mercado internacional também é espaço para produtos diferenciados, que exigem alta performance e criatividade. Para desmistificar a ideia de que apenas grandes empresas ou produtos específicos, como commodities, interessam a públicos de outros países, o painel “Comex Real: histórias únicas do mercado internacional” trouxe três exemplos curiosos: a importação de camundongos e a exportação de pistas de boliche e de roupas específicas para a prática de sereismo.

Conforme o pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Bioquímica da UFRGS Daniel Pens Gelain, um dos maiores desafios para importar animais vivos destinados à pesquisa é a burocracia. “É muito importante contar com empresas parceiras, porque o trâmite convencional, dentro das instituições, pode levar até um ano e numa pesquisa isso faz diferença”, contou. Já a diretora de Marketing da Imply Tecnologia, Tiana Ortiz, contou como a empresa exporta atualmente para 125 países e já produziu, inclusive, pistas de boliche para a casa do jogador de futebol Cristiano Ronaldo. “O mais importante é se adaptar a cada projeto e investir sempre em tecnologia. É assim que conseguimos nos diferenciar no mercado internacional.”

Já a fundadora e diretora da Sereia Guardiã, Morganna Mor, destacou a necessidade de criar formas de aproximação com o consumidor e construir um senso de pertencimento entre as “sereias” de diferentes partes do mundo. “O meu produto é de maior valor agregado, então desde o início percebi que teria que vender externamente também, mas comecei do zero, apenas com um sonho. Fui descobrindo tudo no caminho, desde a necessidade de importar partes da roupa até de ter dois sites com os sistemas de compra nacional e internacional”, contou. Ela reforçou que criatividade e disposição são fundamentais para superar as barreiras envolvidas nas operações de importação e exportação.

Ao longo da programação, também foram abordados os impactos da reforma tributária em regimes especiais fiscais, além de temas relacionados à biossegurança, cadeia logística, infraestrutura e crédito.

 

 

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