O que diferencia uma escola da outra? O prédio? A tecnologia? Os resultados? Ou existe algo que não cabe em uma fotografia, não se mede em uma planilha e não se explica apenas por uma lista de projetos? Talvez seja o jeito.
Em um mundo que parece cada vez mais interessado em padronizar comportamentos, aparências e até sonhos, ter um jeito próprio tornou-se quase um ato de coragem. E, quando falamos de educação, essa coragem é ainda mais necessária. Educar não é produzir pessoas iguais, mas ajudar cada uma a descobrir quem é, como pode contribuir e de que maneira deseja caminhar pelo mundo.
O escritor francês Marcel Proust nos revela a seguinte citação, no volume “Em busca do tempo perdido’’: “Sabedoria não se transmite, é preciso que nós a descubramos fazendo uma caminhada que ninguém pode fazer em nosso lugar e que ninguém nos pode evitar, porque a sabedoria é uma maneira de ver as coisas.” A frase nos lembra que ninguém pode viver a experiência pelo outro. A caminhada é pessoal. A descoberta é individual. A sabedoria nasce do caminho. Pode ser justamente essa caminhada que nasça aquilo que chamamos de jeito.
Muito antes de existirem slogans, campanhas institucionais ou estratégias de marketing para definir uma identidade, um jovem de Assis, cidade da Itália, decidiu que não queria apenas falar sobre o Evangelho: queria vivê-lo. Este jovem era São Francisco de Assis que influenciado por Jesus, a partir de rever seu plano de vida e identidade, procurou imitá-lo. Como canta Padre Zezinho em Cantiga por Francisco, Francisco encontrou no próprio Cristo a inspiração para sua vida. E fez isso em um tempo em que não se falava em posicionamento, identidade de marca ou comunicação institucional. Francisco simplesmente viveu e por uma feliz consequência, inspirou. É possível que essa seja uma das formas mais genuínas de comunicação que existem: quando aquilo que se acredita deixa de ser discurso e passa a ser prática.
Francisco foi autêntico. Diante das estruturas de seu tempo, compreendeu que era necessário retornar ao essencial. A simplicidade, a fraternidade, o cuidado com os pobres, a proximidade com as pessoas e o respeito pela criação não foram, para ele, conceitos abstratos. Tornaram-se escolhas cotidianas. Francisco encontrou uma maneira própria de viver o cristianismo. Foi criativo ao encontrar novas formas de comunicar a sua fé. Foi autêntico ao não tentar reproduzir os padrões de seu tempo. Ele encontrou seu jeito. E, ao encontrar seu jeito, acabou ajudando muitas outras pessoas a encontrar os seus.
No dicionário Aurélio, referência no estudo da linguística, “jeito” aparece associado à maneira, ao modo, à forma particular de fazer ou realizar algo; também à habilidade, à disposição e à maneira própria de agir. É reconhecer que existe uma forma singular de olhar para aquilo que todos estão olhando. Podemos concluir, que jeito tem muito de autenticidade, e autenticidade não significa fazer diferente apenas para chamar atenção. Significa fazer de maneira verdadeira aquilo em que se acredita. Foi assim com Francisco, e também, com Santa Maria Bernarda, inspirada pelo carisma franciscano e fundadora de uma ação concreta mundialmente conhecida, a Congregação das Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria Auxiliadora, onde o Colégio Franciscano São José é um dos seus resultados concretos.
Santa Maria Bernarda, teve coragem de sair de sua terra, atravessar o oceano e deixar para trás aquilo que conhecia para colocar-se a serviço de outras pessoas. E, como Francisco, descobriu que grandes transformações podem começar por gestos aparentemente pequenos, servindo suas xícaras de chá, pratos de sopa, demonstrando o cuidado como algo milagroso e principalmente a escuta presente. Quem doente entrava no seu atendimento, curado saía, porque era preciso ter jeito para fazer o bem. O seu jeito próprio a partir da sua reflexão, convivência e perspectiva social.
No hoje o que pode ser esse jeito? É fácil falar de um jeito. O difícil é vivê-lo na sua autenticidade. Nos tantos exemplos que temos, recordamos das nossas férias de inverno, por exemplo, quando as crianças poderiam estar em casa, descansando ou simplesmente esperando o retorno das aulas, o Colégio Franciscano São José abriu suas portas para a primeira edição do Brincando nas Férias de Inverno, e as crianças nessas oportunidades fazem do Colégio a extensão do pátio, e dos lugares preferidos da sua casa brincando, aprendendo e se aventurando entre amigos de diferentes idades, descobrindo o seu jeito fora do contexto sala de aula.
O mesmo jeito aparece quando o esporte ocupa os espaços do Colégio. Nas competições, nos encontros e nas atividades esportivas, os estudantes experimentam algo que nenhuma aula teórica consegue reproduzir completamente: o desafio de estar com o outro. A chegada da AEV por exemplo, com os seus campeonatos, mini vôlei e tantas outras iniciativas fazem com que os finais de semana também possam ser momentos de movimento, convivência, diversão e jeito esportivo de levar os desafios adiante.
Há ainda as palestras, os encontros e as conversas sobre saúde, futuro, escolhas, profissões e tantos outros assuntos que atravessam a vida dos nossos estudantes e eventos culturais da Educação Infantil ao Ensino Médio. Uma escola viva é aquela que não espera que a vida aconteça do lado de fora para depois falar sobre ela dentro da sala de aula. Ela traz a vida para dentro. E deixa que a escola também transborde para a vida. É por isso que um Colégio cheio de iniciativas não é apenas um Colégio cheio de atividades.
Quando olhamos para a história dos colégios franciscanos espalhados por diferentes lugares, percebemos uma grande árvore. Com sementes do jeito de Francisco lançadas há séculos e que foram não plantando cópias e sim iluminando singularidades para florescer. No mundo acelerado, em que o desempenho pode parecer mais importante do que a pessoa, em que palavras duras encontram espaço com facilidade. Nesse cenário, talvez o mundo não precise de pessoas cada vez mais iguais. Precise de pessoas autênticas.
Nos nossos 103 anos de história, oferecemos o espaço, a sabedoria e a fé para construir jeitos que são referência localmente e no mundo. Seguimos querendo educar crianças e adolescentes a descobrir o seu próprio jeito de ser, colocando a serviço do mundo aquilo que possui de mais autêntico, os seus próprios valores que não tem preço. Francisco não nos ensinou a copiar Francisco. Ensinou-nos, com a própria vida, a buscar com coragem aquilo que é verdadeiro. O Jeito Franciscano é um só e que pode chegar a muitas pessoas fazendo com que cada uma delas, reconheça a sua singularidade, e multiplique no mundo a beleza de ser quem é, e a beleza de enxergar o mundo uma beleza que sempre tem jeito de resolver, construir e cuidar.