21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Segurança

“Foi tomar cerveja após ter matado a mãe dos filhos dele”, diz promotor

Fala foi proferida por Gustavo Alegretti durante os debates no júri que condenou réu pelo assassinato de Chaiane Patrícia Proença por asfixia, em Erechim

teste
Réu (de camiseta branca) foi condenado a 45 anos de reclusão e a pagar indenização de R$ 150 mil par
Familiares e amigos realizaram manifestação pedindo justiça
Por Alan Delfin Dias
Foto Alan Delfin Dias

Após mais de 12 horas de julgamento, o Tribunal do Júri condenou, na quinta-feira (20), o réu Claudemir Alves Figueiró a 45 anos de reclusão, inicialmente em regime fechado, pelo assassinato de Chaiane Patrícia Proença por asfixia. em outubro de 2023, na casa onde a vítima morava, no bairro Atlântico, em Erechim. A sentença também incluiu indenização de R$ 150 mil para cada um dos três filhos da vítima.

A sessão foi realizada na quinta-feira (20), na Comarca de Erechim e foi presidida pelo Juiz de Direito Marcos Luis Agostini. Antes, familiares e amigos de Chaline se concentraram em frente ao Ministério Público, onde afixaram cartazes pedindo justiça.

Com o Conselho de Sentença formado por cinco mulheres e dois homens, o julgamento iniciou com a mãe da vítima relatando a vida de abusos físicos e psicológicos que a filha teria vivido durante os, aproximadamente, cinco anos de relacionamento com Claudemir. Agressões contra Chaiane e os filhos, tentativas de afastar a mulher da família, de controlar onde a vítima iria e que roupas usaria. Falou sobre a dor de precisar levar os netos para ver a mãe em um caixão e que três anos após o crime, eles seguem em tratamento psicológico. Em seguida, foi ouvida a irmã de Chaiane, que na época residia no Mato Grosso.

Segundo a testemunha, a vítima sofria ameaças e tinha medo de que Claudemir fugisse levando os filhos. Afirmou ainda que Chaiane dizia que pretendia se separar quando os filhos estivessem maiores.

Após, já durante a tarde, foram ouvidas testemunhas de defesa. Um ex-sogro de Claudemir contou que considerava o réu um bom homem, que ele tratava bem a família e que sua filha teria recebido ameaças de Chaiane.

A segunda testemunha foi uma filha de Claudemir, de 28 anos, moradora de Caxias do Sul. Ela disse que Chaiane não permitia que mantivesse contato com o pai e aconselhava Claudemir a encerrar o relacionamento. Segundo ela, Chaiane agredia Claudemir. Antes do réu ser ouvido, foram ouvidas outras testemunhas de defesa.

Ao ser interrogado, Claudemir optou por responder apenas às perguntas da defesa e dos jurados. Negou que agredia as crianças ou que impedia Chaiane de manter contato com outras pessoas. Segundo ele, Chaiane era usuária de drogas e teria oferecido entorpecentes às crianças.

Afirmou ainda que era agredido pela companheira e que no dia da morte foi até a casa a convite dela e foi atacado com um fio de luz, em uma tentativa de asfixiá-lo, e depois com uma faca. Relatou que houve luta, ela sofreu um corte na cabeça durante uma queda, voltaram a conversar e novamente ele foi atacado. Na tentativa de fazê-la soltar a faca, ele teria pressionado o pescoço dela com o antebraço e teria falecido.

Após teve início os debates, com o promotor de justiça promotor Gustavo Alegretti apresentando provas periciais, com os laudos indicando que Chaiane morreu asfixiada com um fio de luz, e depoimentos de policiais, feitos durante a investigação. Também foram apresentados vídeos mostrando Claudemir chegando ao bar onde foi preso, consumindo bebida e interagindo com pessoas e Alegretti defendeu que o réu havia entrado escondido na casa e surpreendido a vítima. “Foi tomar cerveja após ter matado a mãe dos filhos dele”, destacou o promotor.

O assistente de acusação, advogado Marco Dorigon, fez uma exposição sobre quem era Chaiane e afirmou que “quem ama não mata”, questionando a tese de homicídio privilegiado apresentada pela defesa. Também sustentou que não existe provocação injusta quando alguém invade a residência de outra pessoa.

A defesa, feitas pelas advogadas Priscila Souza da Rosa, Maíra Cazzuni e Kátia Batistello, sustentou a tese de legitima defesa e tentou derrubar as qualificadoras: motivo torpe, emprego de meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima, e

feminicídio. Disseram que era preciso reconhecer as falhas existentes na relação entre o casal e que Claudemir não estaria em pleno estado racional no momento do crime.

Com o encerramento da tréplica, o julgamento avançou para a votação dos quesitos pelos jurados e encerrou com a leitura do veredito.

Ao final da sessão, a advogada Priscila Souza da Rosa informou que a defesa iria recorrer da sentença.

Publicidade

Blog dos Colunistas

;