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Opinião

A dívida pública é um tema incontornável para o próximo governo

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Emerson Luis Ehrlich
Por Emerson Luis Ehrlich - Advogado e Professor
Foto Emerson Luis Ehrlich

A dívida pública do país atingiu o maior nível dos últimos cinco anos, e vem crescendo, sendo extremamente necessário conter a trajetória insustentável dos gastos. Em meados de uma campanha política para os principais cargos do governo (legislativo e executivo), o controle das contas deverá ser consistente e possível, pois caso contrário, as empresas e as famílias brasileiras continuarão a padecer com juros sufocantes, que por consequência, aumentam o endividamento e a inadimplência.

Como medida de contenção, o Banco Central terá que manter a Selic em patamar elevado para segurar a inflação. Em junho, a dívida pública cresceu em 2,6% acima do patamar do mês de maio, ou seja, em torno de R$ 240 bilhões, e chegou a R$ 9,27 trilhões, causando o endividamento maior ainda do Tesouro que serve para financiar o déficit do governo. Em maio desse ano, conforme informações do Banco Central, a dívida bruta do governo geral, que inclui Estados e municípios avançou para 81,1% do PIB. Em janeiro estava em 78,8%. O Tesouro projeta que a trajetória alta seguirá até 2029, quando atingirá 87,9%.

Ao nos aproximarmos das eleições, muito pouco ou quase nada tem se falado sobre o enorme endividamento do país e as consequências disso para o próximo governo, com enormes e drásticas repercussões para as empresas e a população em geral. Juros altos encarecem o crédito para empresas e famílias, desestimulando o investimento produtivo e desacelerando o consumo, principal motor do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

O impacto do crescimento da dívida pública na economia atua como um “freio de mão puxado” contínuo, podendo levar a desaceleração expressiva do crescimento (estagnação) quanto, em cenários mais severos, a uma recessão. A falta de uma trajetória clara de estabilização gera desconfiança por parte das agências de risco e investidores internacionais, possibilitando a volatilidade cambial, enfraquecendo a moeda (real), que por consequência, alimenta pressões inflacionárias e afasta investimentos de longo prazo.

Eleição merece atenção de quem vota e de quem vai representar os poderes executivo e legislativo pelos próximos anos (4 em geral e 8 para o senado), uma vez que pessoas competentes e responsáveis deverão assumir o compromisso de comandar esse enorme país com diligência e responsabilidade de mudanças muitas vezes drásticas, mas necessárias.

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