Produzir alimentos, transportar riquezas e garantir o abastecimento da população são atividades que caminham lado a lado. No mês de julho, duas datas reforçam a importância desses protagonistas para o desenvolvimento econômico e social: o Dia Internacional da Agricultura Familiar, celebrado em 25 de julho por iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU), e o Dia do Colono e do Motorista, comemorado na mesma data em todo o Brasil.
As datas convidam à reflexão sobre uma cadeia produtiva que começa na propriedade rural, passa pelas estradas e termina na mesa de milhões de brasileiros. Nesse processo, um elemento está presente em todas as etapas: a água, indispensável para produzir, industrializar, transportar e garantir qualidade de vida às comunidades urbanas e rurais.
O Rio Grande do Sul possui uma das agriculturas mais diversificadas do país. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o Estado reúne centenas de milhares de estabelecimentos rurais familiares, responsáveis por uma parcela significativa da produção de alimentos que abastecem o mercado interno.
A agricultura familiar responde por grande parte da produção de leite, hortaliças, frutas, feijão, mandioca, milho, aves e suínos, além de desempenhar papel fundamental na preservação das tradições culturais e na permanência das famílias no campo.
No Brasil, estima-se que aproximadamente 70% dos alimentos consumidos diariamente pela população tenham origem na agricultura familiar, responsável também por gerar milhões de empregos e fortalecer a economia de milhares de municípios.
No Rio Grande do Sul, essa realidade se destaca pela forte presença das pequenas propriedades rurais, muitas delas conduzidas por famílias há várias gerações.
O Alto Uruguai como exemplo de produção
Na região do Alto Uruguai, em seus 32 municípios, a agricultura familiar representa uma das principais bases econômicas.
As pequenas propriedades produzem leite, grãos, frutas, hortaliças, aves, suínos, erva-mate e diversos alimentos destinados tanto ao consumo regional quanto aos mercados estadual e nacional. Cooperativas, agroindústrias familiares e programas de incentivo ao cooperativismo fortalecem esse sistema produtivo, agregando valor à produção e ampliando a geração de renda.
Erechim consolidou-se ao longo das últimas décadas como um importante polo regional de serviços, comércio e agroindústria, mantendo estreita ligação com o meio rural. O município investe continuamente em programas de apoio aos produtores, incentivo à agroindustrialização, manutenção de estradas rurais e fortalecimento da agricultura familiar, reconhecendo sua importância para o desenvolvimento sustentável.
Essas famílias preservam costumes, conhecimentos transmitidos entre gerações e uma relação direta com a terra que ajudou a construir a identidade do norte gaúcho.
A história construída pelos colonos
Celebrado em 25 de julho, o Dia do Colono presta homenagem aos homens e mulheres que transformaram áreas antes cobertas por matas em comunidades produtivas e organizadas.
No Rio Grande do Sul, descendentes de italianos, alemães, poloneses e diversas outras etnias deixaram como legado uma cultura baseada no trabalho, na cooperação e no respeito à natureza.
A colonização do Alto Uruguai, especialmente da região de Erechim, foi marcada pelo esforço dessas famílias, que enfrentaram dificuldades para abrir estradas, cultivar a terra e construir escolas, igrejas e comunidades.
Esse espírito empreendedor permanece presente nas propriedades rurais da região, hoje cada vez mais tecnificadas, com uso de irrigação, mecanização, agricultura de precisão e práticas sustentáveis.
Entretanto, os desafios continuam. As mudanças climáticas, os períodos de estiagem, os eventos extremos e os custos de produção exigem investimentos constantes em tecnologia, infraestrutura e gestão dos recursos naturais.
Nesse cenário, preservar a água torna-se uma das principais estratégias para garantir segurança alimentar e desenvolvimento econômico.
Quem leva o campo até a cidade
Se o agricultor produz, o motorista garante que essa produção chegue ao destino.
No Dia do Motorista, celebrado também em 25 de julho, ganha destaque o trabalho dos profissionais responsáveis pelo transporte de alimentos, insumos, medicamentos e diversos produtos que movimentam a economia.
No Rio Grande do Sul, milhares de caminhões percorrem diariamente rodovias estaduais e federais transportando grãos, leite, carnes, frutas e produtos industrializados. Grande parte da riqueza produzida pelo agronegócio depende diretamente da eficiência logística.
No Alto Uruguai, onde a agropecuária possui forte participação na economia, o transporte representa um elo indispensável entre produtores, cooperativas, agroindústrias, centros de distribuição e consumidores.
Os motoristas enfrentam longas jornadas, diferentes condições climáticas e desafios constantes nas estradas, desempenhando papel estratégico para o abastecimento da população.
Água: o elo que une toda a cadeia
Nenhuma dessas atividades seria possível sem água. Ela está presente desde o preparo do solo, na irrigação das lavouras, na dessedentação dos animais, na higienização das agroindústrias e no consumo diário das famílias.
Também acompanha toda a cadeia produtiva até chegar às cidades, onde o abastecimento seguro garante saúde, qualidade de vida e desenvolvimento econômico.
Por isso, preservar os recursos hídricos tornou-se uma responsabilidade compartilhada entre produtores, empresas, poder público e sociedade.
A proteção de nascentes, o uso racional da água, a recuperação de matas ciliares e os investimentos em saneamento representam ações fundamentais para assegurar que esse recurso continue disponível para as futuras gerações.
Nesse contexto, o trabalho desenvolvido pela Corsan reforça seu compromisso com a universalização do saneamento, a preservação ambiental e o fornecimento de água de qualidade, contribuindo diretamente para o fortalecimento das comunidades urbanas e rurais.
Um futuro construído pelo trabalho coletivo
Agricultores familiares, colonos e motoristas representam diferentes etapas de uma mesma cadeia que sustenta a economia, promove o desenvolvimento regional e garante alimento na mesa dos brasileiros.
No Rio Grande do Sul, especialmente no Alto Uruguai e em Erechim, essas profissões carregam a história de milhares de famílias que ajudaram a construir o Estado e continuam inovando para enfrentar os desafios do presente.
Entre a nascente que irriga a lavoura e a estrada que leva a produção ao consumidor existe uma rede de pessoas que trabalha diariamente para garantir qualidade de vida, crescimento econômico e segurança alimentar.
Valorizar esses profissionais é reconhecer que o futuro passa pela integração entre produção, transporte, sustentabilidade e preservação da água — patrimônio indispensável para a vida e para o desenvolvimento de toda a sociedade.