A aprovação do fezolinetanto pela Anvisa, em junho de 2025, trouxe uma nova opção não hormonal para o tratamento dos sintomas vasomotores moderados a graves da menopausa, como fogachos e suores noturnos. Comercializado no Brasil como Veoza, o medicamento busca reduzir manifestações que podem afetar o sono e a qualidade de vida das mulheres no climatério.
A nova terapia amplia as alternativas de tratamento, especialmente para pacientes que não podem usar hormônios ou optam por outras abordagens com orientação médica. Especialistas, porém, destacam que o medicamento não substitui a terapia de reposição hormonal.
Tratamento com indicação específica
O fezolinetanto não contém estrogênio nem progesterona. Seu mecanismo de ação é diferente da terapia hormonal tradicional, pois atua diretamente no hipotálamo, região do cérebro responsável pelo controle da temperatura corporal. De forma simplificada, o medicamento ajuda a recalibrar o "termostato" cerebral, que se torna desregulado com a queda dos níveis de estrogênio característica da menopausa.
Por atuar especificamente nesse mecanismo, o medicamento foi desenvolvido para controlar os fogachos e os suores noturnos moderados a graves. Isso significa que ele não trata todos os sintomas relacionados à menopausa, como alterações geniturinárias ou a perda de massa óssea.
Terapia hormonal continua sendo referência
A terapia de reposição hormonal permanece como o tratamento mais eficaz para os sintomas vasomotores em mulheres que apresentam indicação clínica e não possuem contraindicações. Além de aliviar os fogachos, ela pode beneficiar outros aspectos do climatério, incluindo sintomas geniturinários e, conforme a formulação utilizada, contribuir para a prevenção da perda de massa óssea.
Nesse contexto, o fezolinetanto passa a integrar o conjunto de opções terapêuticas, sem substituir a reposição hormonal. A escolha entre os tratamentos deve considerar fatores como idade, tempo de menopausa, intensidade dos sintomas, presença de outras doenças, perfil de risco e preferências da paciente.
Nova alternativa para mulheres com contraindicação
A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) avalia a aprovação como um avanço relevante por oferecer uma alternativa não hormonal, com resultados promissores em estudos clínicos. O fezolinetanto pode beneficiar especialmente mulheres que não podem ou preferem evitar a terapia hormonal, incluindo pacientes com histórico de câncer de mama, doenças cardiovasculares ou baixa resposta aos tratamentos convencionais. A entidade reforça, porém, que a escolha do tratamento deve ser individualizada, com prescrição médica, acompanhamento clínico e monitoramento contínuo da segurança do medicamento.
Efeitos adversos observados
Nos estudos clínicos, o efeito adverso mais frequente foi a cefaleia, relatada por aproximadamente 9% das mulheres que utilizaram o medicamento, percentual semelhante ao observado entre as participantes que receberam placebo.
Também foram registradas elevações das enzimas hepáticas TGO e TGP em cerca de 2,3% das usuárias durante os estudos de fase 3. Segundo os pesquisadores, essas alterações ocorreram sem sintomas, não provocaram repercussões clínicas e retornaram aos níveis normais em até um mês após a interrupção do tratamento.
Disponibilidade e custo ainda são incertos
Embora aprovado pela Anvisa, o fezolinetanto ainda não chegou ao mercado brasileiro. O medicamento passa pela etapa de definição de preço, e a data de lançamento não foi divulgada. A expectativa é de custo elevado, seguindo os valores praticados nos Estados Unidos e na Europa. Até o momento, não há previsão de inclusão no SUS. A nova terapia amplia as opções de tratamento dos sintomas da menopausa, mas o acesso dependerá da disponibilidade e do preço definido no país.