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Saúde

Perda auditiva na velhice pode aumentar o risco de demência

Estudos mostram como a redução da audição afeta o cérebro e favorece o isolamento social

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A perda auditiva pode aumentar o risco de demência, mas o diagnóstico precoce e o uso de aparelhos a
Por Assessoria de Comunicação
Foto Divulgação

A perda auditiva é uma condição comum do envelhecimento e costuma se manifestar por sinais como aumentar o volume da televisão ou pedir que as pessoas repitam o que foi dito. Mais do que dificultar a comunicação, ela também está associada a impactos na saúde cerebral. Estudos mostram que cerca de dois terços das pessoas com mais de 70 anos apresentam algum grau de perda auditiva. Entre os maiores de 85 anos, a proporção chega a quatro em cada cinco, cenário que acompanha o envelhecimento da população e chama a atenção pela relação com outras doenças.

Relação entre audição e demência

Pesquisas realizadas nos últimos anos mostram que pessoas com perda auditiva apresentam maior probabilidade de desenvolver demência. Estima-se que até 8% dos casos da doença estejam associados à redução da audição. O relatório da Comissão Lancet sobre prevenção, intervenção e cuidados em demência aponta a perda auditiva relacionada ao envelhecimento como um dos principais fatores de risco modificáveis para o desenvolvimento do quadro.

A intensidade da perda também influencia esse risco. Uma redução leve da audição pode dobrar a chance de demência, enquanto perdas severas podem elevar esse risco em até cinco vezes.

O que acontece no cérebro

A perda auditiva reduz os estímulos recebidos pelo córtex auditivo, região responsável por interpretar os sons, o que pode diminuir sua atividade e até seu volume ao longo do tempo. Ao mesmo tempo, o cérebro passa a gastar mais energia para compreender sons e palavras incompletos, desviando recursos de outras funções cognitivas e aumentando o risco de comprometimento cognitivo com o envelhecimento.

Isolamento social agrava o problema

A perda auditiva também compromete a vida social. A dificuldade para acompanhar conversas e o receio de pedir repetições levam muitas pessoas a evitar encontros e atividades em grupo, reduzindo os estímulos cognitivos das interações. Estudos indicam que o isolamento social pode elevar em até 50% o risco de demência. Especialistas observam que a surdez favorece esse afastamento por dificultar diretamente a comunicação cotidiana, o que pode gerar impaciência entre familiares e amigos.

Tratamento pode reduzir impactos

O uso de aparelhos auditivos ajuda a reduzir os impactos da perda auditiva e está associado à preservação das funções cognitivas. Apesar disso, muitos pacientes adiam o tratamento por associarem o equipamento ao envelhecimento ou por receio do período de adaptação, que pode exigir ajustes até garantir conforto e bom desempenho. A interrupção precoce compromete os resultados do tratamento. Pelo Sistema Único de Saúde (SUS), os aparelhos são oferecidos gratuitamente. O acesso começa em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), com avaliação médica, exames e encaminhamento para a rede pública de reabilitação auditiva, responsável pela entrega do equipamento após a confirmação da indicação.

Como preservar a audição

A prevenção inclui medidas simples que ajudam a proteger tanto a audição quanto a saúde cerebral. Entre elas estão o uso de protetores auriculares em ambientes com ruídos intensos, como shows e locais de trabalho barulhentos, a procura por atendimento médico diante de sintomas como dificuldade para ouvir, zumbido ou sensação de ouvido tampado e a utilização correta dos aparelhos auditivos quando houver indicação profissional. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado contribuem para manter a comunicação, a participação social e a qualidade de vida durante o envelhecimento.

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