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Opinião

Memórias de viagem

Europa Ocidental e Sul – Suíça – a caminho de Zurich

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Marlei Klein
Por Marlei Carmen Reginatto Klein – Membro da Academia Erechinense de Letras
Foto Marlei Carmen Reginatto Klein

No verão europeu acontece uma verdadeira invasão de turistas asiáticos: chineses, coreanos, indianos e japoneses estão por todos os lados. Um exemplo dessa realidade é a Suíça tomada por verdadeiras “hordas” de invasores da Ásia, nas suas principais cidades – Zürich, Lucerna, Lausanne, Genebra, a capital Berna e muitas outras, como também nas suas famosas estações de esqui. O turismo é a quarta maior fonte de arrecadação da Suíça atrás das indústrias farmacêuticas, de produtos lácteos e de relógios. É um país muito democrático, o povo suíço decide tudo. No caso do euro, a moeda de quase toda a Europa, não foi adotado pela Suíça, porque o povo decidiu, em referendo, dizer não às mudanças. Isso não significa atraso é resposta puramente democrática. A moeda continuou a ser o Franco Suíço que equivale mais ou menos a um Euro.

Oberland: a caminho de Zürich, ainda no cantão de Berna, passamos pela região de Oberland. Linda região dos Alpes, de lagos cristalinos, de vales rodeados pelos paredões das montanhas. Como estávamos no outono, a viagem era muito tranquila, sem muitos turistas e a natureza estava magnífica. Lentas cachoeiras despencando dos Alpes, pois no inverno estas ficam geladas. O belo Lago Thun, entre montanhas, as espelhava com seus picos de eterna neve. Essa é a região mais elevada do cantão.

Gstaad: ainda, no cantão de Berna está a esplêndida região de Oberland situada em meio a quatro vales alpinos, principalmente Gstaad, que é o mais famoso e melhor lugar para a prática de esportes de inverno do mundo. Possui 250 quilômetros de pistas que descem pelas colinas, 90 km de trilhas pelos campos e muitas atividades para serem realizadas tanto no inverno como no verão. É o local onde os ricos e famosos esquiam. A atmosfera, da pequena cidade é muito parecida com a de um vilarejo no campo, mas muito próspera. Por ser um lugar famoso, os preços são altíssimos. A nossa parada em Gstaad foi de deslumbre onde iniciam os teleféricos para as pistas de esqui e com um maravilhoso restaurante nos altos. É tranquila e quase deserta na época. O Palace Hotel Gstaad é um dos lugares de luxo mais procurados. Dominando a cidadezinha com as suas torres como as de um castelo neomedieval. Ele parece com aqueles que o Rei Ludwig construiu na Alemanha. O Hotel possui uma história muito interessante com seus mais de uma centena de quartos. Construído em 1912 ainda é gerenciado pela mesma família. Os hóspedes permanecem muito tempo pelo aconchego de seus quartos, pela excelente comida e pelo atendimento da administração. Esta possui um lema: “Todo rei é um cliente, todo cliente é um rei”. Passeamos pelas ruazinhas e nos deliciamos com um gostoso café com leite fresquinho, próximo ao Hotel. Aproveitei para comprar o meu chocolate preferido: chocolate com raspas de limão siciliano e amêndoas.

Interlaken: o rumo a seguir seria a região do Interlaken. Muitos castelos, montanhas e cidadezinhas. É como entrar em um conto de fadas. A Suíça quase perfeita: cenário alpino espetacular, vales idílicos, deslumbrantes e lagos espelhados. São muitos os hotéis e confortáveis hospedarias nesta região de esportes de inverno. As rodovias são excelentes, pouco trânsito e bem sinalizadas. Tudo aspira limpeza, ordem e pontualidade. Interlaken significa “entre lagos”. Cidade central da Suíça e localizada na rota mais popular sendo, assim, a área mais turística do país. Cortada pelo Rio Aare, o mesmo que contorna Berna, a capital. Cercada por montanhas com famosas pistas de esqui. Geleiras eternas nos picos que parecem ficar dourados ao bater do sol. As cidades são muito próximas umas das outras.                                          

Grindelwald: cidadezinha, perto de Interlaken, é tanto turística no inverno quanto no verão. Possui rodovia que pode alcançar montanhas próximas. Por isso, acontece grande fluxo de turistas, alguns vindos somente para passar o dia, outros aproveitam a oferta da aconchegante hotelaria. Nós estávamos de passagem e muito aproveitamos. A estação continuava florida, riachos rápidos e toda a beleza alpina encontrada como em toda a Suíça. Os hotéis são muito chamativos e charmosos. O pequeno comércio não deixa de apresentar vitrines lindíssimas numa combinação com o bom gosto. Nas construções em madeira o toque pessoal suíço com suas esculturas coloridas nas fachadas. Passando por restaurantes, o cardápio sempre sugeria, entre outras iguarias o “rôsti”, o tradicional prato de batata suíça. Em Grindelwald, salienta-se o “glacier village” situado nas montanhas a 3 860 metros. Seus teleféricos, para lá chegar, estão próximos à cidade.

Ainda no cantão de Berna: por todos esses lugares passados, a língua é sempre o alemão. Grindelwald é também popular entre os que não praticam o esporte. Tomam o teleférico para apreciar a visão de 360 graus de um panorama que inclui montanhas, campos e lagos. Estes, no inverno, ficam cobertos pela neve. Os lagos gelados servem para a prática do esqui. No alto, há restaurante envidraçado, como acontece em todo terminal de teleférico.

Conclusão: a nossa guia comentou que na região é servido, nos restaurantes, um prato chamado “James Bond 007”. Este artista realizou filmagens há anos atrás, na região. Gostava de pedir, no jantar, um prato com batatas suíças – ao molho de queijo – com costeletas de cordeiro. Esse pedido ficou famoso e os turistas gostam de experimentar. A sobremesa seriam cinco bolas de sorvete. Tradições conservadas. Outro destaque gostoso são as padarias locais. Oferecem pães fofinhos recheados com frutas secas de peras, maçãs e nozes. Foi delicioso entrar e degustar os pãezinhos juntamente com um gostoso e inédito chá de ervas alpinas. Este é de sabor bem diferenciado e delicado. Vale a pena fazer essas paradas, pois as lembranças ficarão para sempre. Com toda a beleza que a região de Oberland ofereceu, inesquecível a memória de um dia de maravilhas de uma Suíça tradicional e bela. Podemos dizer que conhecemos a alma suíça.

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