Com a família constituída e as raízes sólidas no interior do município de Mariano Moro, Osvaldo e Rosilei Sychocki, criaram seus dois filhos Edeovaldo e Eduardo Luis. Com o passar dos anos e o avanço da idade, o casal deixou a produção leiteira e avançou para outros tipos de atividades rurais. Atualmente, os filhos da família dedicam-se à criação de gado de corte, a qual representa a principal fonte de renda e mantém o trabalho da propriedade. É através da pecuária, que a família Sychocki ganha seu sustento e leva adiante o ofício de uma vida, que começou no campo.
O início da vida no interior
Depois do casamento, Osvaldo e Rosilei foram morar na antiga casa, onde formaram seus filhos. No passado, trabalhavam com o ciclo completo da suinocultura, criando e engordando porcos. Contudo, a criação de vacas leiteiras foi durante muitos anos, o principal negócio da família, que garantia renda por meio da venda de leite e produtos derivados. Hoje, o casal ainda cria esses animais, mas apenas para o próprio consumo.
Quando iniciaram sua trajetória juntos, o pai de Osvaldo deixou uma carroça de boi e uma vaca, para que pudessem começar na lavoura. Além disso, receberam uma quantidade em terras que hoje são alicerce e patrimônio, onde vivem e trabalham até hoje.
Fim da produção de leite e o início da pecuária de corte
À medida que os filhos assumiram a condução da propriedade, a nova geração decidiu encerrar a produção de leite e direcionar os investimentos para a criação do gado de corte em confinamento.
As dificuldades físicas em virtude do passar dos anos, tornou o manejo com as vacas difícil de ser realizado. “Temos bastante problema de coluna e retirar leite exigia bastante de nós. Os filhos nunca gostaram, sempre preferiram lidar com gado. Chegou um dia que disseram que usariam o potreiro para fazer o confinamento e a partir daí ficamos apenas com duas vacas, para termos queijo e leite”, explicou Rosilei.
Apesar de não terem mais a necessidade de estarem diariamente envolvidos com a lida de animais, o casal participa da criação e alimentação, quando os filhos estão ausentes. Segundo Rosilei, “nos finais de semana, quando os eles saem, a gente cuida. E também durante a semana, quando precisam. Eles nos ajudam e nós os ajudamos. Trabalhamos sempre juntos”, destacou.
Os filhos passam a conduzir os negócios
O mais velho dos irmãos, Edeovaldo Moises Sychocki, desempenhou outros serviços até assumir o trabalho junto com o mais novo. “Sai daqui quando tinha 18 anos e fui para Erechim, fiquei um tempo lá. Porém, sempre gostei do interior e fazer o que faço hoje. Voltei e atuei na prefeitura por seis anos. No tempo vago que tinha, ajudava em casa. Agora, compramos mais um pedaço de terra e alugamos do vizinho também. Ampliamos a quantidade de vacas e estamos trabalhando aqui”, disse ele.
A história de Eduardo Luis Sychocki foi diferente. “Quando completei a maior idade, sentei e conversei com os meus pais disse que não queria sair. Começamos a investir um pouco mais depois que meu irmão se juntou conosco e compramos mais terras. Os dois gostam disso e não me vejo fora do interior também”, explicou Eduardo.
Os irmãos ressaltam que a pequena estrutura que tinham não permitiam avançar de forma expressiva na produção leiteira. Devido ao cenário econômico, a pecuária foi a opção mais rentável para eles. “Teríamos que ampliar, fazer reformas e investir mais. Hoje, o gado de corte é melhor para trabalhar e não exige o compromisso de tirar leite de manhã e à tarde. Os horários são mais tranquilos. É o que gostamos de fazer”, destacou Edeovaldo.
Ciclo completo da pecuária
O serviço desempenhado pelos dois compreende o ciclo completo da pecuária: cria, recria e engorda. Cria-se o bezerro desde pequeno até estar pronto para a venda. O filhote fica mamando de seis a oito meses na mãe, depois passa a comer pasto. A partir do plantio, cultiva-se aveia e braquiária, garantindo alimento para os animais até que atinjam peso e tamanho ideais para o confinamento. O processo todo até a comercialização, pode demorar até dois anos.
Além disso, na lavoura os irmãos cultivam milho, onde quase toda a produção é destinada à alimentação dos bois. Foram os dois que implementaram essas transformações e evoluções, afim de melhorar sua produtividade.
Em uma área especial das terras existem os pomares, onde produz-se laranjas para complementar renda. A colheita é feita de forma manual. Como de costume entre os vizinhos, eles se revezam nos pomares para realizar a coleta das frutas e poupar em mão de obra.
Um legado de família
Os filhos destacam que o empenho dos pais foi fundamental para que tivessem autonomia para ampliar a produção, expandir as estruturas e consolidar a propriedade. “A gente tem muito a agradecer ao nosso pai e nossa mãe, e aos avós que começaram tudo. Graças a eles, podemos trabalhar todos juntos e ter uma boa renda. Sempre tivemos apoio em nossas decisões, isso é muito importante. Somos muito unidos nessa questão”, salientou Edeovaldo.
Conforme o senhor Osvaldo, “temos orgulho de ver os filhos conosco e damos incentivo. Futuramente tudo vai ficar para eles. Se fosse só eu e a esposa, não teríamos condições de tocar o serviço. Eles optaram pelo gado de corte e permitimos, são mais novos e tem mais visão de como será lá para frente”, contou.
“A gente espera que venham os netos para continuarmos onde os nonos e os irmãos do Osvaldo deixaram. Vamos seguir aqui até quando Deus quiser. É um legado de família que temos muito orgulho”, disse Rosilei Sychocki.
O motorista
Assim como a família Sychocki, muitos produtores dependem de que as laranjas e outros produtos cheguem aos compradores. Nesse processo, o trabalho do motorista é essencial para garantir o transporte da produção em Mariano Moro. Este profissional desempenha um papel fundamental na cadeia produtiva e é parceiro do produtor rural. Ele realiza a coleta e carrega as frutas até o depósito. Depois disso, a mercadoria é encaminhada ao comércio ou à indústria. Na região, evidencia-se as culturas de cítricos, especialmente a laranja e a bergamota. No verão, também ocorre a safra da melancia.
Hoje em dia, em meio à escassez de motoristas, ganha destaque a função dos condutores que percorrem as estradas todos os dias para transportar os alimentos produzimos no campo. Seu Jorge Chiapetti atua há mais de 20 anos no ramo e dedicou praticamente a vida inteira nessa profissão. Foi através dela que sustentou a família ao longo dos anos e criou seus três filhos que se tornaram adultos. Para ele, “sempre gostei de caminhão e desse ramo. É a vida, começamos assim e estamos seguindo”, disse Jorge.