Luzes que surgem no céu, objetos com movimentos incomuns e imagens registradas por pilotos militares continuam despertando a curiosidade da humanidade. Celebrado em 2 de julho, o Dia Mundial dos OVNIs reacende um debate que, nos últimos anos, deixou de ser exclusividade da cultura popular para ganhar espaço em governos, universidades e centros de pesquisa.
Atualmente, o termo mais utilizado é Fenômenos Anômalos Não Identificados (UAP, na sigla em inglês), adotado por autoridades por abranger ocorrências registradas no ar, no espaço e até no ambiente marítimo.
O interesse cresceu principalmente após a divulgação de vídeos gravados por pilotos da Marinha dos Estados Unidos e a realização de audiências públicas no Congresso norte-americano. Desde 2022, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos mantém um escritório permanente, conhecido como AARO (All-domain Anomaly Resolution Office), responsável por receber, analisar e investigar relatos envolvendo esses fenômenos.
O relatório anual mais recente da AARO mostra que o órgão recebeu 757 relatos de fenômenos anômalos entre maio de 2023 e junho de 2024. Desse total, 118 casos já foram esclarecidos, sendo identificados como balões, drones, aeronaves, satélites, aves ou outros objetos comuns.
Outros registros seguem em análise por falta de informações suficientes para uma conclusão definitiva. O próprio Pentágono afirma que não encontrou evidências de tecnologia extraterrestre ou de origem não humana nas investigações realizadas até o momento.
Apesar disso, o número crescente de registros tem levado especialistas a defenderem pesquisas mais aprofundadas, principalmente por questões relacionadas à segurança da aviação civil e militar. Objetos não identificados próximos a aeronaves representam riscos independentemente de sua origem.
Brasil também possui histórico de investigações
O Brasil figura entre os países com maior quantidade de relatos de fenômenos aéreos não identificados. Desde a década de 1950, a então Força Aérea Brasileira documenta ocorrências desse tipo.
Entre os episódios mais conhecidos está a Operação Prato, realizada em 1977 no Pará, quando militares investigaram dezenas de relatos de luzes observadas por moradores da região amazônica. Outro caso marcante foi a chamada Noite Oficial dos OVNIs, em 19 de maio de 1986, quando mais de 20 objetos foram detectados por radares e acompanhados por aeronaves da Força Aérea Brasileira. Parte da documentação desses episódios encontra-se hoje disponível ao público por meio do Arquivo Nacional.
Ciência pede cautela
Astrônomos e pesquisadores afirmam que a maioria dos avistamentos possui explicações convencionais, envolvendo fenômenos atmosféricos, drones, satélites, balões meteorológicos ou ilusões de perspectiva. No entanto, uma pequena parcela permanece sem conclusão por insuficiência de dados.