Para o bem do RS, é mister elucidar aos nossos leitores todos os fatos que envolvem este grandioso investimento do complexo industrial e florestal de celulose, que significa o maior investimento privado da história do Rio Grande do Sul, com aporte de R$ 27 bilhões e geração de 40 mil empregos diretos e indiretos (12 mil apenas na construção).
Seguindo nas manifestações de apoio institucional ao “Projeto Natureza” da CMPC Brasil, em Barra do Ribeiro-RS, as entidades representativas da Engenharia Florestal Gaúcha, como a Associação Gaúcha de Engenheiros Florestais (AGEF), a Sociedade dos Engenheiros Florestais Autônomos do Estado do Rio Grande do Sul (SEFARGS) e a Sociedade Santamariense de Engenheiros Florestais (SOSEF), apresentam uma análise consistente sobre o projeto.
- Objeto do debate – a perda do investimento milionário: Como está sendo amplamente divulgado na imprensa, o MPF – Ministério Público Federal do RS ajuizou uma ação civil pública questionando o processo de licenciamento ambiental do referido projeto. A possível perda deste investimento reacende o debate sobre o risco de o Rio Grande do Sul sofrer uma nova "fuga" de capital, como ocorreu no passado com os projetos de celulose e papel da Votorantim e da Stora Enso. A inviabilização deste projeto comprometeria uma reconfiguração estrutural necessária para a economia gaúcha.
- O Setor Florestal como Referência de Sustentabilidade: O setor florestal brasileiro é líder mundial em produtividade e manejo sustentável. As florestas plantadas para celulose são cultivos renováveis planejados, que não resultam em desmatamento de matas nativas, seguindo rígidos critérios técnicos. A silvicultura moderna foca no manejo responsável do solo e da água, na recuperação de áreas degradadas e em certificações internacionais. Para que esses ativos gerem valor real, eles devem estar conectados a uma indústria âncora e a uma malha logística funcional, transformando a floresta em uma plataforma industrial de capital intensivo.
- Impacto Econômico e Social: RS vs. Mato Grosso do Sul: A cadeia produtiva da madeira é vital para o RS, sendo um dos 12 segmentos prioritários da SEDEC. Atualmente, o setor: a) gera aproximadamente 320 mil empregos; b) representa 4,1% do PIB estadual; c) exporta US$ 2 bilhões/ano. Vale esclarecer que este comparativo entre o RS e o MS se dá em razão da perda do outrora investimento da Votorantim no Estado, que migrou para o MS, e porque lá está sendo implantado mais um grande investimento de celulose e papel, semelhante ao que se pretende instalar no RS. Na época, não havia nenhuma empresa de celulose no MS; hoje, há seis (06), além de mais três (03) projetadas. Uma análise detalhada mostra que o RS tem crescido em uma cadência menor que o Mato Grosso do Sul (MS). Enquanto municípios gaúchos, como Encruzilhada do Sul, cresceram 9,2 vezes do PIB desde 2002, atingindo R$ 1,35 bilhão, para R$ 14,76 bilhões no mesmo período. O município de Ribas do Rio Pardo (MS) teve um crescimento de 17,3 vezes, impulsionado por projetos como o "Projeto Cerrado", demonstrando como a industrialização florestal acelera drasticamente o valor agregado local.
- O Potencial de Barra do Ribeiro e a Logística: No Rio Grande do Sul, a nova unidade da CMPC, em Barra do Ribeiro, projeta a triplicação do PIB municipal, atualmente em R$ 117 milhões, para aproximadamente R$ 360 milhões.
- Ordenamento Territorial e Expansão: A silvicultura ocupa apenas 4,5% da área do agronegócio no RS (974 mil hectares), sendo a maior parte composta por eucalipto (648 mil ha). A CMPC tem ativos florestais em 73 municípios gaúchos. A expansão da área florestal da nova fábrica está alicerçada no Zoneamento Ambiental da Silvicultura (ZAS) de 2025.
- Governança, Licenciamento e Profissionalismo: As entidades enfatizam que o licenciamento deve ser transparente, com segurança jurídica e diálogo social, respeitando as comunidades tradicionais e a legislação. O papel do Engenheiro Florestal é fundamental em todas as etapas, garantindo o manejo sustentável e a gestão técnica da cadeia produtiva. Para investidores, a maturidade econômica de uma região depende da integração entre floresta, indústria e governança, exigindo uma due diligence rigorosa sobre infraestrutura e qualificação de fornecedores.
As entidades supracitadas reiteram o posicionamento favorável à implantação da nova fábrica em Barra do Ribeiro. O Projeto Natureza é visto como uma oportunidade crucial para o Rio Grande do Sul fortalecer sua bioeconomia e não perder espaço para outros eixos competitivos, consolidando-se como um pilar de desenvolvimento sustentável, seja nos aspectos sociais, econômicos e ambientais, seja na geração de valor a longo prazo.