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Política

Mobilidade urbana e obras de tratamento de esgoto precisam andar juntas

O imbróglio jurídico completa 10 anos em 2026, o que retarda as metas estabelecidas pelo Marco Legal do Saneamento e ainda pode travar intervenções de infraestrutura

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Os projetos precisam conversem entre si. Caso contrário, a conta poderá chegar duas vezes ao contrib
Por Rodrigo Finardi
Foto Rodrigo Finardi

O anúncio cada vez mais frequente do projeto de mobilidade urbana para a região central de Erechim traz uma discussão sobre o futuro do saneamento básico no município.

A cidade vive uma situação peculiar. Em 2026, completam-se dez anos sem um contrato definitivo entre o município e a companhia responsável pelos serviços de água e esgoto, em meio a uma disputa jurídica que se arrasta sem desfecho. O impasse gera insegurança institucional e, inevitavelmente, impacta o ritmo dos investimentos necessários para que Erechim cumpra as metas estabelecidas pelo Marco Legal do Saneamento, que prevê a universalização da coleta e do tratamento de esgoto até 2033.

Preocupação legítima

Enquanto diversas cidades gaúchas já avançam com obras estruturantes de saneamento após a concessão dos serviços à iniciativa privada, Erechim ainda busca definir qual será seu modelo de gestão. E é justamente nesse ponto que surge uma preocupação legítima.

Investimentos necessários e a falta de uma definição clara

O projeto de mobilidade urbana, contratado pelo município, prevê intervenções importantes no sistema viário central, incluindo ajustes em rótulas, sinalização, pavimentação e reorganização do fluxo de veículos. São investimentos necessários e aguardados há anos pela população. Porém, sem uma definição clara sobre a implantação da rede de tratamento de esgoto, existe o risco de que as mesmas vias beneficiadas em breve precisem serem abertas em um futuro próximo para receber as obras de saneamento (não se tem data para isso, mas importante pensar nisso).

Falta de sincronização entre projetos estruturantes

A questão não é discutir a importância da mobilidade urbana ou do saneamento. Ambos são fundamentais. O problema está na falta de sincronização entre projetos estruturantes que impactam diretamente o mesmo espaço urbano.

Planejamento público eficiente exige coordenação

Planejamento público eficiente exige coordenação. Poucos exemplos simbolizam tão bem o desperdício de recursos quanto as cenas, comuns em muitas cidades brasileiras, de ruas recém-asfaltadas sendo cortadas poucos meses depois para a instalação de tubulações.

A conta pode chegar duas vezes ao contribuinte

Os projetos precisam conversem entre si. Caso contrário, a conta poderá chegar duas vezes ao contribuinte. Primeiro na execução das melhorias viárias e, depois, na reconstrução do que precisará ser desfeito para que o saneamento finalmente saia do papel.

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