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Opinião

Memórias de viagem

Europa Ocidental e Sul – Norte da Itália – O Lago de Como

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Marlei Klein
Por Marlei Carmen Reginatto Klein – Membro da Academia Erechinense de Letras
Foto Marlei Carmen Reginatto Klein

A Lombardia é a região italiana situada aos pés dos Alpes – grande e alta cadeia de montanhas, no norte do país. É a região populosa e economicamente mais importante da Itália. Combina moda, inovação, finanças, paisagens e lagos: o de Como e o de Garda. Algumas de suas principais províncias são: Milão, Bérgamo, Cremona e Varese. A Lombardia é uma região de destaque na Itália, concentra mais de 20% da sua economia e na sua qualidade de vida. Milão, a capital da região, é o motor econômico, com uma grande concentração de fortunas individuais.

Cidade de Como: símbolo da mansidão na vida italiana. Localizada a 50 km de Milão, oferece aos visitantes um gostinho de paraíso. Está situada junto ao Lago de Como, com arredores de colinas verdejantes, pontuadas por mansões luxuosas e ajardinadas, pertencentes a donos famosos, como Madonna. Como é um centro industrial, a sua principal atividade é a produção de seda. A Praça Cavour abriga lojas e restaurantes. Todo o calçamento com pedras seculares é um convite ao passeio. As lojas oferecem grande variedade de produtos em seda e com artigos de vários padrões em beleza e de custo. Assim que se chega à Cidade de Como, a primeira visão é o Portichetto – o porto de onde se iniciam os passeios pelo Lago.

Andando por Como: chegamos pela manhã e aproveitamos para conhecer a cidade e usar um funicular para subir ao alto de uma colina. Lá de cima, o olhar visualizava cores: flores, azul do céu e a beleza transparente do lago. Tudo inspirava harmonia e grande tranquilidade. Mark Twain escreveu: “O cenário mais inebriante que eu vi até agora”. Fizemos uma visita, no monte do teleférico, à Igreja de San Lorenzo, do final da Era Medieval. Muito bonita, em mármore de Carrara. Voltando pelo teleférico, partimos para o almoço, que aconteceu num restaurante típico do local, na Praça Cavour. O pedido foi: polenta com peixes grelhados do lago. Uma delícia e ainda conferindo a tradicional polenta italiana. A sobremesa: doce de ovos com creme de laranja, adicionado de raspas de limão. Nos arredores de Como, muitos pomares com laranjeiras e limoeiros. Na pequena feira local havia oferta de geleias e licores com essas frutas. Devem ser deliciosos, mas, como estávamos no início da viagem, seria difícil levá-los.

O Lago de Como: a tarde foi reservada para um belo passeio pelo Lago de Como. Suas águas fazem divisa com a Suíça, entre os Alpes e o Rio Pó. O lago está localizado nos montes pré-alpinos da Lombardia. É o mais profundo dos lagos italianos – 414 m. Caracteriza-se por uma vegetação luxuriante: ciprestes, figueiras, camélias, laranjeiras e grande diversidade de flores. Segundo explicação da guia, após tempestades de verão e períodos de degelo, o lago transborda e inunda as estradas com sua água de cor escura e barrenta. As luxuosas vilas ao seu redor tornam-se então acessíveis somente por barco. O passeio durou algumas horas de deslumbre, com muitos cisnes brancos em suas águas azul-turquesa. As suaves costas do lago surgiam, às vezes, num azul profundo, quase violeta. As margens apresentavam vilas ostentosas ou simplesmente com um pequeno conjunto de casas brancas. As margens avançam nas águas e surgem pequenas ilhas, sempre habitadas por luxuosas residências.

A música imortalizou o Lago de Como: no Lago de Como visualizando suas águas, rememoro a belíssima música composta por Giselle Galos, ou simplesmente M. Galos, no século XIX. A executei por muitos anos ao piano, como minha preferida. Suas notas vão do suave ao forte, passando pelo belo trinado. Quando conheci as águas do Lago de Como, entendi a inspiração do noturno composto pela misteriosa musicista italiana ou francesa: as notas suaves inspiram um leve andar sobre as águas; o forte – F – talvez lembre as águas turvas das tempestades; e o trinado leva a imaginar o leve balanço das águas. Na embarcação, revia e cantarolava a música que imortalizou o Lago de Como: suave, forte e com a técnica do trinado – este leva a ter a imaginação delicada e revolta das pequenas ondas.

O nosso próximo destino: a continuação da viagem seria a chegada à Suíça, passando por quilômetros de paisagens do sul europeu. Não se deve esquecer das dificuldades, por muito tempo, para explorá-las. Ao longo dos séculos, o homem lutou para obter pequenos campos nas encostas das colinas, transformando-os em magras áreas de vinha, trigo, pomares e jardins. Foi comum o lento trabalho para construir e organizar sua subsistência, uma cultura milenar – do vinho, do pão e do azeite de oliva. A esses alimentos arrancados da terra, somaram-se riquezas chegadas do Extremo Oriente: laranja, limão e pêssego. Passamos por lindos pomares de maçãs e laranjeiras que, como era início do outono, já abriam em frutos. Estes dão colorido às feiras de produtores, mas ainda são cultivados lentamente, pois o terreno permite pouca produção.

Turismo: este representa uma forma de equilíbrio a ser encontrada para viver de seus próprios recursos. A vida tradicional, nessa região, não bastaria para garantir boa economia. A Lombardia, com a rica Milão e as belezas do Lago de Como, contribui para o sucesso em termos de turismo. A região de Como, seu lago, a preservação das paisagens, o cultivo dos pomares e as estradas ladeadas de flores são prova do respeito e valorização que o homem soube aproveitar e a revelar sua bela natureza.

Conclusão: “La vita passa e si prende parte della nostra storia, però mai si prenderá i nostri bei ricordi”. – Giselle Galos.

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