A mobilização em torno da implantação de um Porto Seco em Erechim avançou mais uma etapa nesta quarta-feira (27), durante reunião coordenada pelo deputado estadual Paparico Bacchi com representantes do setor produtivo, lideranças regionais e profissionais ligados às áreas de logística, comércio exterior e estruturação de projetos. O encontro aprofundou debates técnicos e jurídicos voltados à viabilidade do empreendimento, que passou a ocupar posição estratégica nas discussões sobre competitividade, infraestrutura e desenvolvimento econômico no Rio Grande do Sul.
A reunião ocorreu poucos dias após a audiência pública promovida pela Comissão de Economia, Trabalho, Desenvolvimento Sustentável e Turismo da Assembleia Legislativa, realizada na Câmara Municipal de Erechim, que reuniu empresários, prefeitos, entidades regionais e representantes da sociedade civil para discutir os impactos econômicos e logísticos da proposta.
Participaram do encontro o presidente da Comissão de Acompanhamento para Instalação do Porto Seco de Erechim e presidente do Sindilojas Alto Uruguai, José Gelson Miola; o vice-presidente da comissão e vice-prefeito de Erechim, Flávio Augusto Tirello; o especialista em comércio exterior e logística internacional Fábio Ciocca; Sidney Cabral; o diretor da AAPP Assessoria Administração Pública Privada, Valdecir Dionísio Ril; além da assessoria parlamentar do deputado.
Ao longo da reunião, o grupo discutiu modelos de implantação, estudos de viabilidade econômica, mecanismos jurídicos e alternativas de participação da iniciativa privada no processo de estruturação do projeto. Também foram debatidos instrumentos capazes de acelerar a elaboração dos estudos técnicos necessários para o avanço da proposta, incluindo mecanismos de parceria entre o poder público e investidores privados.
A avaliação construída durante o encontro é de que Erechim reúne condições favoráveis para consolidar-se como um novo polo logístico regional, especialmente pela força agroindustrial do Norte gaúcho, pela localização estratégica e pela capacidade de conexão com importantes corredores comerciais do Mercosul.
Durante a reunião, Paparico Bacchi reforçou que o debate em torno do Porto Seco deixou de ser apenas uma pauta regional e passou a representar uma discussão ligada ao futuro econômico do Norte do Estado e à inserção competitiva do Rio Grande do Sul em um cenário logístico cada vez mais integrado. “O Alto Uruguai precisa participar da nova dinâmica econômica que está se formando no Brasil. Não estamos discutindo apenas uma estrutura física. Estamos discutindo competitividade, fortalecimento industrial, geração de oportunidades e capacidade de crescimento para as próximas décadas”, afirmou.
O parlamentar também observou que o avanço de estruturas ligadas ao comércio exterior vem provocando uma reorganização econômica em diferentes regiões do país, exigindo planejamento e capacidade de articulação institucional. “Quem estiver preparado para essa nova realidade terá vantagem econômica nos próximos anos. Erechim possui força produtiva, localização estratégica e capacidade regional para assumir esse protagonismo”, declarou.
Presidente da comissão criada para conduzir a mobilização regional, José Gelson Miola destacou que o projeto possui impacto muito mais amplo do que os limites do Alto Uruguai, alcançando diferentes cadeias produtivas e regiões do Estado. “Estamos falando de uma estrutura capaz de beneficiar indústria, agronegócio, comércio e serviços. O Porto Seco não atende apenas Erechim. Ele pode fortalecer a competitividade de diversas regiões do Rio Grande do Sul”, afirmou.
Miola também ressaltou que o momento exige união regional e visão de longo prazo. “Nós temos uma região organizada, com capacidade produtiva e forte presença empresarial. Grandes transformações acontecem quando existe articulação coletiva em torno de projetos estruturantes”, observou.
Especialista em comércio exterior e vice-presidente do Sindicato dos Despachantes Aduaneiros do Rio Grande do Sul, Fábio Ciocca avaliou que o cenário econômico atual exige soluções logísticas modernas e alinhadas às transformações do comércio internacional. “O comércio exterior mudou muito nos últimos anos. As regiões que conseguirem construir estruturas eficientes e conectadas aos novos fluxos econômicos terão maior capacidade de atrair investimentos e ampliar participação nos mercados”, afirmou.
Na avaliação de Ciocca, Erechim possui condições de tornar-se referência regional dentro de uma nova dinâmica logística em formação no Sul do país. “Precisamos pensar em uma estrutura preparada para o futuro, integrada aos corredores econômicos que estão se consolidando na América do Sul”, pontuou.
Durante o encontro, Sidney Cabral ressaltou que o próximo passo será a elaboração de um estudo técnico aprofundado para identificar o modelo mais adequado à realidade econômica e logística da região. A análise deverá considerar não apenas um Porto Seco tradicional, mas também estruturas complementares voltadas à movimentação de cargas, armazenagem e integração aduaneira. “É necessário compreender qual estrutura possui maior capacidade de impacto econômico para a região. O estudo precisa analisar potencial produtivo, perfil empresarial e integração logística”, explicou.
Entre os modelos debatidos estiveram plataformas logísticas integradas, zonas de processamento de exportação (ZPEs), recintos alfandegados e sistemas voltados à movimentação aduaneira para indústria e agronegócio.
Outro tema abordado durante a reunião foi a possibilidade de utilização de mecanismos de Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI), instrumento que permite a elaboração de estudos de viabilidade por investidores privados interessados no empreendimento. O diretor da AAPP Assessoria Administração Pública Privada, Valdecir Dionísio Ril, apresentou detalhes técnicos sobre o funcionamento do modelo e suas possibilidades de aplicação no projeto de Erechim.
A expectativa do grupo é ampliar o diálogo com empresários, entidades regionais e representantes do setor produtivo nas próximas semanas, fortalecendo uma construção coletiva em torno da proposta e consolidando bases técnicas para o avanço do projeto.
Para Paparico Bacchi, o momento exige capacidade de planejamento, articulação institucional e visão estratégica de futuro. “O que está em discussão é a posição econômica que o Norte gaúcho e o Rio Grande do Sul ocuparão nos próximos anos. Precisamos construir um projeto sólido, competitivo e conectado com as transformações que estão acontecendo no Brasil e no cenário internacional”, afirmou.