O ano de 2026 marca um período histórico com a celebração do Ano Internacional da Mulher Agricultora. Em Planalto Alegre - SC, esse marco é vivenciado na prática por um grupo de 32 mulheres que participam de uma formação da Cooperalfa, com apoio do Sescoop/SC, focada em um dos pilares essenciais para o sucesso no campo e na vida: a comunicação.
No cenário atual do agronegócio, a presença feminina tem se tornado cada vez mais protagonista, unindo a gestão técnica ao cuidado com o legado familiar. Em comemoração ao Ano Internacional da Mulher Agricultora, Emili Zanetti, coordenadora do projeto Alfa Mulher, destaca que estar à frente de uma propriedade rural é uma missão diária que envolve o equilíbrio entre a produção de alimentos, a gestão do negócio e o zelo pelo lar.
O projeto Alfa Mulher foca no desenvolvimento das áreas onde a mulher está inserida, visando o fortalecimento dos relacionamentos familiares e a prosperidade dos negócios. Segundo Emili, a contribuição feminina na gestão das propriedades ocorre de forma colaborativa, ao lado de maridos e filhos, garantindo a continuidade do legado rural. Ela ressalta que a mulher atua como um pilar dentro da família, trazendo "sutileza" e "calmaria" para as tomadas de decisão.
A coordenadora também salienta o papel do cooperativismo como uma ponte que leva o alimento produzido por essas mulheres a milhares de mesas ao redor do mundo. Para ela, existe um propósito grandioso em produzir sem conhecer o destino final, alimentando o mundo através de um trabalho feito com "olhos de amor e carinho pela história que cada terra possui".
Superando Limites
Ao refletir sobre os desafios da jornada no campo, Emili deixa uma mensagem de incentivo para que as agricultoras não se deixem paralisar pelas incertezas do setor. "Que o medo nunca seja um limitante, mas sim a gente consiga olhar pra jornada e entender que depois do medo vem o mundo", conclui a coordenadora, reafirmando sua admiração por aquelas que, "faça chuva ou faça sol", fazem o agronegócio acontecer
Para o casal de instrutores, Eliomar Steilmann e Denise Benetti Steilmann, do Instituto Emoção, a comunicação é o ponto de partida para a construção da realidade individual e coletiva. Eliomar destaca que ajustar a forma como falamos para além do conteúdo é vital, mencionando que o tom de voz pode influenciar diretamente a harmonia nos casamentos e a relação entre pais e filhos. Denise, que também ministra as atividades, complementa que cerca de 95% das pessoas vivem no "piloto automático" e que o curso busca despertar o potencial e a capacidade das mulheres que, por muito tempo, não foram devidamente valorizados.
A evolução do papel feminino no agronegócio é evidente. Segundo Denise, o sucesso financeiro e a prosperidade das propriedades rurais dependem da capacidade dos casais de "somarem" esforços e sonharem juntos. Essa visão profissional é compartilhada por Ivete Vieira dos Santos Batiston, da Linha Feliz e integrante do grupo Alfa Mulher. Para ela, a propriedade rural deve ser gerida como uma empresa, e o conhecimento adquirido nos encontros é levado diretamente para dentro do lar para fazer o negócio crescer.
A busca pelo aprimoramento na oratória é o que move participantes como Dilceia Lorenzato. Mesmo sendo ministra em sua comunidade e já habituada a falar em público, ela busca no curso formas de se expressar melhor tanto no comportamento quanto na fala, vendo a conversa entre parceiros como o principal motor para gerenciar a propriedade.
O gerente da filial de Planalto Alegre, Jucemir Zanferrari, observa de perto o impacto social da iniciativa, que já está em seu quinto módulo. Ele relata que, embora algumas tenham iniciado a jornada de forma tímida, a evolução é notória em todas as 32 participantes, que demonstram satisfação com a formação que agrega valor às suas vidas e comunidades.
Como mensagem para este ano de celebração, a instrutora Denise deixa um desafio inspirador para todas as agricultoras: "O que não te desafia não te transforma. Quanto mais desafiador, mais transformador". O Ano Internacional da Mulher Agricultora torna-se, assim, um convite para que essas mulheres reconheçam seu valor, enfrentem desafios e se reinventem no coração do Brasil