É o poeta que há em mim
com esquinas não resolvidas.
Em socorro de ausências que necessitam
a medida do meu coração.
É desentendido
com o sentimento diário em voltar
àqueles seios que nunca habitou.
Discípulo das pétalas,
abraça o jarro de flores
mesmo vazio.
Tem o olhar
sem uma melhor distância
que produzir luz.
O céu a cada momento lhe põe um verbo
entre os dedos.
O poeta em mim,
como todos os mortais,
também encontra um "outra vez",
os seus dinossauros voltando...
Mesmo que esteja encoberto
por ursinhos de pelúcia.
Três horas da madrugada
é a sua atualidade
de encantamento.
Chama de varanda
a poesia do silêncio.
O horário do ponto é falso.
Está sempre indo embora e
as ilusões perdidas entendem.
Nunca é ele mesmo e, diz tudo
quando fica quieto
auxiliando a quietude
criar abrigos.
O olhar já está no horizonte procurando
a falta do pássaro.
A opulência do simples,
um "à-toa..." a conversa com estrelas,
e o que dele está em extensão
para o infinito se alegrar;
formam a sequência quotidiana.