Manchas arroxeadas na pele após quedas, pancadas ou pequenos acidentes domésticos são comuns e, na maioria das vezes, não oferecem riscos. Conhecidos popularmente como hematomas, esses sinais surgem pelo rompimento de vasos sanguíneos e pelo acúmulo de sangue sob a pele, desaparecendo espontaneamente em poucos dias. O problema começa quando aparecem sem causa aparente.
Especialistas destacam a diferença entre equimoses e hematomas. As equimoses são manchas arroxeadas superficiais e planas, causadas por pequenos sangramentos sob a pele. Já os hematomas atingem camadas mais profundas, podendo provocar dor, inchaço e maior acúmulo de sangue.
Embora manchas isoladas e ocasionais geralmente não sejam motivo de preocupação, casos frequentes, extensos ou volumosos, especialmente em regiões como rosto, abdômen, dorso e tórax, sem histórico de trauma, exigem atenção médica.
Problemas de coagulação estão entre as principais causas
Uma das possíveis explicações para hematomas espontâneos são os distúrbios de coagulação sanguínea. Entre eles está a hemofilia, doença genética que dificulta a coagulação do sangue e favorece sangramentos mais intensos, tanto internos quanto externos.
Outra condição importante é a doença de von Willebrand, caracterizada pela deficiência de uma proteína essencial para o processo de coagulação. Pessoas com esse problema podem apresentar sangramentos frequentes e manchas roxas espalhadas pelo corpo sem motivo evidente.
Doenças autoimunes e problemas na medula óssea
As manchas também podem indicar doenças autoimunes, como a púrpura trombocitopênica imunológica. Nessa condição, o próprio organismo destrói as plaquetas, células responsáveis pela coagulação, favorecendo o aparecimento de manchas avermelhadas ou arroxeadas na pele.
Problemas na medula óssea também entram na lista de causas possíveis. A aplasia de medula, por exemplo, reduz drasticamente a produção das células sanguíneas. Em casos mais raros, a leucemia, câncer que afeta as células do sangue, pode provocar hematomas devido à queda na produção de plaquetas.
Infecções, medicamentos e deficiência de vitaminas
Algumas doenças infecciosas, como dengue, HIV, hepatites virais, leishmaniose, tuberculose e febre amarela, podem afetar a coagulação e causar hematomas espontâneos ao alterar a produção ou acelerar a destruição das plaquetas. O uso de anticoagulantes, como aspirina e AAS, também aumenta o risco de sangramentos e manchas roxas, o que reforça o alerta médico contra a automedicação. Além disso, a deficiência de vitaminas C e K compromete a saúde dos vasos sanguíneos e o processo de coagulação, tornando o organismo mais suscetível a rompimentos e hematomas.
Idosos são mais vulneráveis
Nos idosos, é bastante comum o surgimento da chamada púrpura senil. O envelhecimento provoca perda de tecido subcutâneo e maior fragilidade vascular, favorecendo manchas avermelhadas e arroxeadas, principalmente em mãos, antebraços, pernas e punhos. O uso frequente de anticoagulantes nessa faixa etária também contribui para o problema.
Quando procurar atendimento médico
Embora muitos hematomas sejam benignos ou sem causa identificada, manchas frequentes, extensas ou acompanhadas de sintomas como febre, palidez, fadiga, anemia e sangramentos devem ser avaliadas por um médico. Também merecem atenção hematomas súbitos em diferentes partes do corpo ou cinco ou mais lesões maiores que um centímetro. O tratamento varia conforme a causa, nos casos simples, indicam-se compressas frias e proteção solar; quando há doenças associadas, o controle do problema de origem é essencial para evitar complicações.