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Opinião

O Paraguai – país de oportunidades

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Roberto Ferron
Por Engº. Florestal ROBERTO M. FERRON – Consultor Florestal/Ambiental

“Custo de vida e impostos baixos são atrativos aos brasileiros”

 

 

Nesta semana fui a serviço para o Paraguai, na região do Departamento (Estado) de Canindeyú, grande produtora de grãos. Por lá grande parte dos agricultores são brasileiros, com grandes propriedades (de 1.000 há acima). E o Paraguai virou o grande destino de muitos brasileiros nos últimos anos. Hoje o Paraguai tem uma das maiores comunidades brasileiras no exterior. Hoje estima-se que são aproximadamente de 350 mil brasileiros vivendo no Paraguai. Trata-se da maior comunidade estrangeira do país, mas quase metade está em situação irregular. Este contingente de brasileiros está concentrado principalmente na faixa de fronteira, nos departamentos de Canindeyú e Alto Paraná, no sudeste do Paraguai.

A migração em massa começou nos anos 1970. Muita gente do Paraná foi para o Paraguai depois da construção de Itaipu. Com a indenização da hidrelétrica, a terra no Paraguai custava oito vezes menos que no Brasil. Em 1967, o Paraguai também liberou a compra de terra por estrangeiros na fronteira. Antes disso, em 1943, não passava de 500 agricultores brasileiros no país todo. É uma das maiores comunidades brasileiras no exterior, junto com EUA, Portugal e Japão.

Na época, a maioria dos brasileiros que foram para o Paraguai eram agricultores descendentes de alemães, italianos ou eslavos, que falavam português. Os filhos de brasileiros nascidos lá, foram apelidados de “brasiguaios”.

O uso do solo no Paraguai é dominado por agro e pecuária, com bastante área de floresta ainda. A divisão geral do território paraguaio de 406 mil km²  ou seja, 40.675.200 hectares.

 

 

1. Terra arável/cultivada: 4,95 milhões de hectares, equivalente a 12% do país.   Onde planta soja, milho, trigo, mandioca, cana. O Paraguai é 53º no ranking mundial de terras cultiváveis. A agricultura responde por 17 a 21% do PIB, e emprega 1/3 da população.

2. Florestas: 14,67 milhões de hectares, equivalente a 36% do território ainda é coberto por floresta nativa. 39º no ranking mundial. Muita madeira dura tropical, tipo quebracho-branco para extrair tanino. O Chaco tem floresta seca e o Leste tinha Mata Atlântica, mas vem sendo convertida em lavoura desde os anos 70.

3. Pecuária: uso extensivo de criação de gado e ocupa boa parte do Chaco e do sul. Em 2022 produziu 570 mil toneladas de carne. Tem também porcos, ovelhas, aves. É uma das principais fontes de divisas junto com a agricultura. Metade da população ativa trabalha no setor primário.

4. Outros usos: a) Hidrelétricas: Itaipu e Yacyretá inundam áreas grandes. b) Cidades: 68% da população é urbana, mas a densidade é baixa - 18 hab/km²; c) Mineração: pouco relevante historicamente, mas descobriram urânio em Caazapá e possível reserva gigante de titânio;

 

.A base da economia do Paraguai é o agro e a energia, com forte peso dos serviços.

1. Agropecuária: é o motor principal com 17 a 21% do PIB vem direto da agricultura e pecuária. Emprega quase 1/3 da população, ou seja, metade da força de trabalho está no setor primário. Seus índices como potência mundial: é o 6º maior exportador de soja, 8º de carne bovina, 9º de milho. Ainda, produz: trigo, mandioca, cana-de-açúcar, arroz, laranja, erva-mate, sorgo. Tem como novas alternativas, os biocombustíveis, agrotecnologia e certificações pra exportar mais carne.

2. Energia hidrelétrica: é uma das suas vantagens competitivas. Quase 100% da eletricidade vem das hidrelétricas, principalmente Itaipu e Yacyretá. As exportações

de energia representam 25% da receita total do governo. Vende excedente para o Brasil e Argentina. Possui a eletricidade mais barata do mundo, o que atrai indústrias que gastam muita energia.

3. Serviços: representam 47 a 55% do PIB. É o maior setor, mas muito ligado à economia informal e comércio de fronteira. Ciudad del Este é polo de comércio e contrabando.

4. Indústria: representa 27 a 33% do PIB. Com crescimento rápido: têxteis, vestuário, autopeças, plásticos, cimento, aço. Possui como vantagem competitiva: acesso sem imposto ao Mercosul e UE, e energia barata.

5. Comércio exterior: tem como principais parceiros são Brasil e Argentina. Exporta soja, carne, energia. Importa manufaturados. Em 2024 exportou US15,5 bilhões e importou US 16,3 bilhões.

Por ter custo de vida baixo e os impostos reduzidos de apenas 10% fixos é um grande atrativos aos brasileiros.

 

 

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