Os encontros do Clube do Livro “O Espelho”, da Escola Estadual de Ensino Médio Dr. João Caruso, reúnem nove estudantes do 8º ano do Ensino Fundamental e do 1º ano do Ensino Médio em atividades voltadas à leitura, à troca de experiências e à produção textual. Coordenado pela professora Luciana Inteker, o grupo também participa de ações na biblioteca pública e experimenta diferentes formatos de leitura.
A plataforma MEC Livros
Durante um dos encontros, os estudantes compartilharam percepções sobre a plataforma digital MEC Livros, desenvolvida pelo Governo Federal. Conforme a professora Luciana, o acesso inicial ainda é limitado entre os alunos.
“A plataforma foi lançada, muitos já tinham ouvido falar, mas poucos tinham acessado de fato”, relatou.
Entre as dificuldades mencionadas estão a restrição do uso de celulares em sala de aula, a necessidade de utilizar Chromebooks e o acesso por meio da conta Gov.br.
“Eu consegui entrar direto no aplicativo e achei vários livros que eu queria ler”, contou a estudante Yasmin Vitória de Oliveira.
A aluna, Maria Isadora Sauri, comentou sobre a funcionalidade do recurso. “Para quem não consegue comprar ou ir até a biblioteca, acaba sendo uma forma mais fácil de acessar os livros”.
Os estudantes também observaram que o sistema permite o acesso a um título por vez, com prazo determinado para leitura. A ausência de aplicativo para iOS no período da conversa também foi citada. Por outro lado, a presença de obras de autores nacionais foi associada à possibilidade de conhecer mais a literatura brasileira.
Contação de histórias na Biblioteca Pública
Além das atividades na escola, os integrantes do clube — Maria Isadora Sauri, Yasmin Bianca Salcher, Yasmin Vitória de Oliveira, Carolina Brondani, Lauren Eduarda da Cruz Chagas, Laura Scotton dos Santos, João Henrique Pereira, Ana Júlia Bergonzi Herrmann e Shara Roberta dos Santos de Oliveira — participam semanalmente de contações de histórias para crianças dos anos iniciais na biblioteca pública.
“Eu faço a contação, mas também dou oportunidade para eles participarem. Toda semana a gente se organiza para ver quem vai contar”, explicou a professora.
A escolha dos livros considera temas próximos do cotidiano das crianças e conteúdos que dialogam com diferentes fases do desenvolvimento. Entre as obras trabalhadas está “O Pequeno Príncipe”, utilizado como ponto de partida para as atividades.
Leitura física e digital
O grupo também debateu as diferenças entre leitura digital e física. Entre os estudantes, há preferência pelo livro impresso, associada à concentração durante a leitura.
“Quando estou com o celular, acabo me distraindo. No livro físico consigo me concentrar mais”, comentou Yasmin Vitória de Oliveira.
Apesar disso, o formato digital aparece como alternativa, especialmente pela praticidade de acesso.
Diversidade de gêneros e escrita
Os interesses literários do grupo são variados e incluem áreas como astronomia, física e botânica, além de gêneros como romance, suspense e investigação.
“Eu comecei a ler mais depois que entrei no projeto e fui descobrindo outros tipos de livros”, relatou Maria Isadora.
Autores como Agatha Christie, Stephen King e Edgar Allan Poe aparecem entre as referências citadas pelos alunos, ao lado de obras da literatura brasileira.
A proposta também envolve a produção autoral. Alguns estudantes já iniciaram a escrita de histórias e narrativas próprias, com base nas leituras realizadas.
Convivência e organização
Os encontros reúnem alunos de diferentes turmas, criando um espaço de convivência e troca de experiências. Além da leitura, o grupo compartilha opiniões, sugere títulos e acompanha o que os colegas estão lendo.
“Quando alguém conta sobre um livro, dá vontade de ler também”, comentou um dos participantes.
Há ainda relatos sobre formas de organização individual, como anotações sobre leituras e registro de livros já concluídos.
Ao longo das atividades, o clube do livro passa a integrar diferentes dimensões da rotina dos estudantes, combinando leitura, escrita e interação em um mesmo espaço.