Os muitos sabores: na China, nos restaurantes, os comensais têm à disposição uma delicada mistura de sua culinária. Diferentes cores, sabores e aromas são colocados em pequenas travessas no centro de uma mesa redonda. Eles usam pauzinhos para servir-se de pequenas porções de cada prato. Mas também oferecem talheres normais para quem não queira ou não consiga usar os pauzinhos. As porções de cada prato são intercaladas com bocados de arroz para dar um sabor neutro para apreciar o seco, o doce, o azedo, o gorduroso, o crocante, o fresco e o perfumado. Um bom cozinheiro chinês sabe como equilibrar e contrastar os sabores e como tornar os pratos atraentes à vista.
A beleza dos jardins chineses: os primeiros jardins da China eram de origem budista, bosques sagrados onde a vida e a natureza eram contempladas, ouvindo-se apenas o farfalhar das folhas. Essa ideia do jardim como lugar de meditação permanece e é evidente nos jardins chineses. Um jardim, na China, é uma pintura em três dimensões, como uma paisagem, e tem de ter dois elementos essenciais: as montanhas, representadas por pedras, e a água. Em muitos lugares, como restaurantes ou lojas, encontramos uma bacia de pedra cheia de água, atravessada por uma concha de bambu, simbolizando a purificação.
Jardins, flores e gramados: não imaginava encontrar essas belezas em Pequim. No centro dessa imensa e moderna capital, entre os edifícios de concreto e vidro, estão intercalados pequenos jardins floridos com a presença de água. Esta aparece em laguinhos ou em chafarizes. Impressionante, mas no seu imenso aeroporto internacional, circundando os diferentes e envidraçados prédios, há um belo e cuidado gramado, parecendo um tapete estendido. Isso não acontece em outros terminais aéreos estrangeiros e, muito menos, no nosso Brasil. O amor pelos jardins e flores leva os chineses a pintar ou, simplesmente, a admirar.
Antigamente: um jardim era para privilegiados. A arte consistia em criar um arranjo cuidadosamente planejado de árvores, arbustos, pedras e água. Tudo deveria parecer perfeitamente natural, sem nenhum sinal de intervenção humana, a não ser uma pequena ponte ou um caminho. O jardim clássico chinês não se destinava à plebe. Era um mundo escondido, protegido por altos muros. Um refúgio onde a elite culta, a única apta a apreciá-lo, podia estudar ou meditar. Era dividido em setores, e mesmo um jardim pequeno trazia uma visão diferente a cada passo. O tempo e a guerra não permitiram que os jardins chineses mais antigos sobrevivessem até hoje, mas eles podem ser conhecidos por meio de pinturas ou poemas. Interessante é a descrição do jardim chamado “O Jardim do Político Tolo”. Ficou famoso, pois consta somente de salgueiros, pedras e flores de lótus – muito simples e nada original.
História do chá: originário da Índia, da China e do Japão, o chá é uma planta que ajudou a mudar o mundo. Sua popularidade no Ocidente estimulou o comércio com o Oriente. Livros clássicos chineses louvam as qualidades revigorantes do chá: “Se alguém está sofrendo de desidratação, melancolia, dor de cabeça, secura nos olhos, dor nos braços ou nas pernas, com rigidez nas articulações, deve beber quatro ou cinco goles”. O chá vem sendo apreciado na China pelo menos desde o século IV.
Importância do seu comércio: o chá chegou a ser prensado em forma de tijolos para facilitar o transporte. Foi usado como dinheiro entre os anos 960 e 1279. Chegou à Rússia pelas rotas das caravanas e lá foi chamado de “tchai” – lembro que, no trem russo, o nosso Nicolai também assim o chamava. No início do século XVII, a Companhia das Índias Orientais Holandesas introduziu o chá na Europa Ocidental.
O cerimonial do chá: conhecemos esse cerimonial em uma tradicional e bela casa de chá, em Pequim. Na China, as folhas de chá são colhidas e selecionadas manualmente. Quando bem preparadas, sempre produzem um sabor suave e adocicado. Na Casa de Chá, tudo era impecável, começando pelas toalhas. As louças, em porcelana branca estampada em azul, incluíam xícaras de diversos tamanhos para cada tipo de bebida. O rico bule prateado ficava sobre um samovar, tipo fogareiro. A cerimônia do chá é como um ritual religioso e social. Existem regras que especificam, nos mínimos detalhes, a forma correta de receber os convidados. Esse ritual também é praticado no Japão. Antes de iniciar, as xícaras e utensílios devem estar bem colocados na mesa e brilhando. No centro, flores frescas, sem perfume e bem arrumadas. Os bolos e biscoitos nos lugares corretos, assim como os guardanapos, de preferência de tecido branco e impecáveis. Durante a cerimônia, a conversa é deliberadamente formal. O objetivo é criar um ambiente de calma e tranquilidade. No nosso cerimonial, ainda havia um fundo de suave música clássica. Tudo de acordo com uma bela e inesquecível aprendizagem.
Tipos de bebida de chá: fomos tendo lições sobre como servir o chá. Pode ser bebido com leite, com ou sem açúcar. Basta dispor de um bule, folhas de chá, algumas pétalas de jasmim e água fervente. Como aperitivo, é servido em pequenas xícaras, para três goles. Como bebida fortificada, acrescenta-se uma colher de chá de manteiga a uma xícara normal. O adoçante não é recomendado, e sim o açúcar – que pode variar. Sempre deve ser servido quente, nunca morno. As pétalas de jasmim servem para dar um toque especial e único ao chá. Isso não é hábito entre nós. Na loja da Casa de Chá, eram vendidas as pétalas de jasmim para colocar no chá. Belas embalagens, ótimas como lembranças e para trazer como presente – imperdível!
Conclusão: a Inglaterra foi o país europeu que mais apreciou a chegada do chá e, por isso, ele foi pesadamente taxado – uma libra do produto custava o equivalente a 300 libras de hoje. A compra do chá, produzido na China, tornou-se tão importante que levou à construção de navios à vela, na época os mais rápidos da história. Terminando, é importante dizer que, no local reservado à cerimônia do chá, é costume lavar as mãos e tirar os sapatos – belo hábito!