Como forma de transformar a dor em memória e dar voz a histórias interrompidas pela violência, a Câmara aprovou, na 13ª sessão ordinária, o projeto da vereadora Sandra Picoli (PCdoB) que institui o dia 17 de outubro como o Dia de Luto e de Memória às Mulheres Vítimas de Feminicídio em Erechim.
Mais do que uma data no calendário, a proposta nasce como um chamado coletivo à reflexão e à responsabilidade. O texto prevê, além da instituição da data, a criação de memoriais físicos e simbólicos e o desenvolvimento de ações permanentes de conscientização, para que as histórias dessas mulheres não sejam esquecidas.
Conforme a justificativa apresentada, a iniciativa representa um passo na construção de uma cultura de “nunca mais”, em que o luto deixa de ser silêncio e passa a ser expressão, memória e luta. A proposta reforça o compromisso com a justiça reparadora e com a transformação da dor em ação concreta por autonomia, dignidade e direitos.
A escolha do dia 17 de outubro carrega um profundo significado simbólico, ao remeter ao caso de Eloá Cristina Pimentel, cuja morte, em 2008, marcou o país e expôs fragilidades no enfrentamento à violência doméstica.
Alinhado à Lei Federal nº 15.334, sancionada em 2026 a partir de iniciativa da senadora Leila Barros, o projeto reforça a necessidade de olhar para o feminicídio não como um fato isolado, mas como o desfecho de uma cadeia de violências que começa no desrespeito, se alimenta da invisibilidade e termina em tragédia.
Ao transformar a memória em compromisso institucional, Erechim dá um passo importante para reafirmar que a vida das mulheres é prioridade e que nenhuma história pode ser apagada.
Com a aprovação, a matéria segue agora para sanção do Poder Executivo Municipal.