Pais não presenciais procuram dar compensação aos filhos
Estou há três semanas escrevendo sobre o tema família e hoje escrevo a última coluna chamando atenção a este tema.
Vivemos uma época em que muitos pais passam cada vez menos tempo com os filhos. A rotina de trabalho, as preocupações financeiras, o cansaço e as inúmeras responsabilidades fazem com que a presença dentro de casa seja, muitas vezes, substituída pela ausência emocional. E é justamente aí que surge um problema: alguns pais, conscientes ou não, tentam compensar a falta de presença com coisas. Um celular novo, um videogame, roupas, brinquedos, dinheiro, passeios, comida, permissões excessivas... Tudo para aliviar aquela sensação de culpa por não estarem presentes como gostariam.
Mas existe algo que nenhum presente consegue comprar: a atenção dos pais. Uma criança não precisa apenas de coisas. Ela precisa ser ouvida, abraçada, orientada, corrigida, elogiada e, principalmente, sentir que é importante. Precisa perceber que seus pais têm tempo para ela. O problema é que a compensação material pode criar uma perigosa confusão: a criança começa a associar amor com aquilo que recebe. E, quando isso acontece, quanto maior a ausência, maior pode ser a necessidade de compensar.
Não estou dizendo que os pais não devam trabalhar, conquistar bens ou proporcionar conforto aos filhos. Devem. O problema começa quando presentes passam a ocupar o espaço que deveria ser preenchido pela presença. Talvez nossos filhos não se lembrem de todos os brinquedos que ganharam. Mas certamente se lembrarão de quem sentou ao lado deles quando precisaram conversar, de quem participou de uma brincadeira, de quem perguntou como foi o dia e realmente quis ouvir a resposta.
Pais, não tentem compensar a ausência apenas com coisas. Às vezes, o maior presente que um filho pode receber é simplesmente ter seus pais presentes.
Até a próxima.